Há razões específicas para que a economia portuguesa não tinha crescido como seria desejável no primeiro trimestre de 2016. A justificação é do ministro das Finanças, Mário Centeno.

"Tiveram a ver com a evolução dos mercados externos, em particular em alguns mercados muito importantes para as exportações portuguesas", referiu em Vila Real de Santo António.

"Essa dimensão deverá melhorar ao longo do ano. Na dimensão interna a política do Governo deverá manter-se. Temos que gerar confiança na economia portuguesa para que ela possa trazer, de facto, os números de crescimento que todos esperamos", acrescentou o responsável pela pasta das Finanças.

No dia em que o Instituto Nacional de Estatística revelou que a economia portuguesa cresceu 0,8% até março, em comparação com o primeiro trimestre de 2015, Centeno reconheceu que "é, de facto, um início do ano que não fez a diferença em relação ao final do ano passado". Mesmo assim acrescentou que "o crescimento do PIB, segundo as projeções do Governo, continuará a acelerar ao longo do ano".

Já sobre os risco de cumprimento das projeções previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento ou alterações ao nível da execução orçamental, o ministro reportou para a execução orçamental de Abril que revelou crescimento ao nível da receita fiscal e para os números de crescimento no emprego.

"Essa é a dimensão interna da economia. E temos que continuar a apostar nas exportações e na recuperação de alguns mercados. É sempre difícil, numa primeira fase, quando as empresas sofrem quebras muito significativas da procura, em mercados específicos, encontrar, imediatamente, outros mercados mas estamos confiantes que isso também vai acontecer", concluiu.

O Produto Interno Bruto cresceu 0,8% entre janeiro e março, em comparação com o primeiro trimestre de 2015, e apenas 0,1% em relação aos últimos três meses de 2015, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística. Ainda são apenas dados do arranque do ano, e faltam três trimestres para no final de 2016 ser atingida a meta de 1,8% de crescimento da economia portuguesa traçada pelo Governo no Programa de Estabilidade, mas a este ritmo será difícil lá chegar e a pressão de Bruxelas pode aumentar. 

"A procura externa líquida registou um contributo mais negativo para a variação homóloga do PIB que no trimestre anterior, refletindo a desaceleração das exportações de bens e serviços", faz notar o comunicado do INE.