O primeiro-ministro deslocou-se esta quarta-feira até à Madeira, onde foi recebido com protestos de algumas dezenas de manifestantes, entre os quais sindicalistas e dirigentes regionais do PCP, BE e PTP. Tudo aconteceu junto ao Centro de Congressos da Madeira, no Funchal, onde Passos Coelho participa, como convidado de honra, na cerimónia de consagração e jantar de gala integrado no programa da 25.ª conferência das «100 Maiores e Melhores Empresas» deste arquipélago.

Os apupos dos manifestantes foram também dirigidos aos elementos da PSP quando chegaram ao local, incluindo a Brigada de Inativação de Explosivos, que trouxe cães, para inspecionar o edifício.

Álvaro Silva, responsável da USAM - afeto à CGTP -, disse à agência Lusa que o objetivo da concentração era «expressar de forma ruidosa a aversão dos madeirenses pela figura do primeiro-ministro, pelos três anos de empobrecimento que impôs».

Entre as palavras de ordem: «É só cortar e roubar a quem vive a trabalhar», «é fácil governar quando a política é só roubar», «onde estão os milhões roubados dos salários e pensões?», “está na hora, está na hora do Governo ir embora» e «vão embora, vão embora, a demissão já demora!».

Jardim: «É-me indiferente»

A deslocação de Pedro Passos Coelho acontece num dia que o presidente do Governo Regional da Madeira está ausente da ilha, encontrando-se no Porto para participar numa conferência sobre «Regionalização: ainda uma oportunidade para o país?» e é o convidado no ciclo de debates «Ouvir & Pensar», do Instituto do Conhecimento IAB.

«O Primeiro-ministro é livre de se deslocar e eu não tenho nada a ver com isso», reagiu Alberto João Jardim, referindo que «não houve nenhum contacto» oficial com o Governo Regional da Madeira sobre a visita de Passos Coelho a uma «empresa privada» e «hostil ao PSD». Questionado sobre se a falta de comunicação o havia agastado respondeu: «Não fiquei agastado até porque não me interessa (...) é-me indiferente».

Esta é a quinta visita de Passos Coelho à Madeira. Primeiro, foi ainda como candidato à liderança do PSD (agosto 2010), a convite do então presidente da câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, para o dia da cidade. Depois, em outubro de 2010, já como líder nacional social-democrata, marcou presença no Partido Popular Europeu. Em abril de 2011 e novembro de 2012 regressou duas vezes para estar presente no encerramento de dois congressos regionais do PSD/Madeira.

No Aeroporto da Madeira, Pedro Passos Coelho foi recebido pelo Representante da República e demais responsáveis de autoridades militares, não estando qualquer elemento do Governo Regional.

A 25.ª conferência das «100 Maiores e Melhores Empresas»  é uma iniciativa da Previsão, do Diário de Notícias da Madeira, da ECAM (Empresa de Consultadoria e Assessoria Empresarial) e da Madconta. Passos Coelho é, de resto, o primeiro chefe do Governo em funções a marcar presença na conferência, o que constitui «uma referência muito importante» para o evento, segundo o responsável da organização, Luigi Valle.