Vestidos de preto e com bandeiras negras, cerca de meia centena de professores e lesados do BES estão a manifestar-se no Mercado Municipal de Braga, onde decorre uma ação da pré-campanha da coligação PSD/CDS-PP.

Braga foi a cidade escolhida para começar a 'Maratona Portugal à Frente', iniciativa da coligação, e quando Pedro Passos Coelho e Paulo Portas chegaram tinham à sua espera uma concentração de professores e antigos clientes do BES que os recebeu com palavras de incentivo, insultos e até tentativas de agressão ao primeiro-ministro.

Os manifestantes, com problemas diferentes e a exigir medidas distintas, juntaram-se numa manifestação em Braga contra o Governo, que acusam de não apresentar propostas nem dar respostas.

De um lado, os manifestantes criticavam o Governo gritando insultos e até tentando agredir o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enquanto outro grupo gritava palavras de ordem e defendia o atual executivo, segundo a Lusa testemunhou no local.

Paulo Portas lembrou que “estamos em democracia” e, como tal, as pessoas têm o direito de se exprimir livremente. Já Passos Coelho parou para ouvir e falar com algumas pessoas sobre os problemas do país como o desemprego.

Apesar da confusão, a caravana mantém-se no local na sua primeira ação da agenda da 'Maratona Portugal à Frente', que acontece antes do arranque do período oficial de campanha que arranca a 20 de setembro no distrito de Lisboa, onde deverá ocorrer também o encerramento, a 02 de outubro.

Os manifestantes, com problemas diferentes e a exigir medidas distintas, juntaram-se numa manifestação em Braga contra o Governo, que acusam de não apresentar propostas nem dar respostas.

O grupo de professores exige que sejam revistos os processos de colocação e querem que o Governo dê resposta aos problemas dos docentes não colocados.

Os antigos clientes do banco BES voltam hoje a manifestar-se na tentativa de ver resolvidos os seus problemas.
 

Passos promete apoio jurídico para lesados do GES


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu que está disponível para organizar uma subscrição pública para auxiliar os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) sem recursos económicos para recorrerem aos tribunais.

"Se não tem dinheiro para ir lá [tribunal] eu organizarei uma subscrição pública para os ajudar a recorrer ao tribunal", disse Passos Coelho depois de confrontado por um cidadão que se diz lesado pelo investimento feito em papel comercial do grupo, que faliu há pouco mais de um ano.


Estas declarações foram captadas pela TVI 24 durante uma ação de pré-campanha da coligação PSD/CDS-PP, atualmente no poder, no Mercado Municipal de Braga.

"Quando eu morrer é que vou receber", atirou o cidadão, recebendo a seguinte resposta de Passos Coelho: "O senhor tem papel comercial que não é do banco, é do Grupo Espírito Santo (GES) e das empresas do grupo".

O cidadão assegurou ter sido "enganado" e o primeiro-ministro disse-lhe que "há uma entidade que pode resolver isso que é o tribunal", reforçando que ia organizar uma subscrição pública para ajudar os lesados do GES que não têm condições económicas a recorrerem à justiça.

O atual primeiro ministro insistiu que só nos tribunais é que este problema, que afeta cerca de 2.500 subscritores de papel comercial e cujo valor ultrapassa os 500 milhões de euros, pode ser resolvido.

"Disse eu e o Presidente da República, uma coisa é o Grupo Espírito Santo (GES), outra coisa é o banco. O banco está defendido. A defesa que o Banco de Portugal organizou para o Banco Espírito Santo (BES) foi posta em causa pelos seus administradores e eles vão responder, lhe garanto, em tribunal por isso", afirmou o governante.
 

Passos acusa esquerda de só se entender para falar de “irrealismo”


O líder da coligação "Portugal à Frente" acusou os partidos à esquerda de só se entenderem quando é para falar de "irrealismo" e para fazer promessas "que sabem não poder cumprir".

Em Vila Verde, distrito de Braga, Pedro Passos Coelho, que pediu uma campanha com "muito amor", depois de o terem tentado agredir, horas antes, em Braga, episódio que o próprio desvalorizou, voltou a apontar os empregos criados durante o Governo que comandou como um exemplo do que um caminho de "rigor e exigência" pode atingir.

"Às vezes olhamos para os partidos à esquerda da coligação "Portugal à Frente" e vemos bem quando é que eles se entendem e quando não se entendem. Quando se trata de falar de irrealismo e de prometer o que sabem que não podem cumprir estão todos de acordo", afirmou.


"Mas depois, quando se trata de saber o que fazer em concreto e começar a contar os votos que cada um deve ter, ai eles não se entendem", acrescentou.

Sobre os últimos quatro anos de governação PSD/CDS, o líder da PàF lembrou a criação de emprego como uma das vitórias da sua governação e apontou o caminho para o futuro.

"Não conseguimos ainda dar emprego a todos aqueles que o perderam já conseguimos criar metade do emprego e tenho a certeza que nos próximos quatro anos, se continuarmos o nosso caminho, de rigor e exigência mas também de aposta na Educação, na Saúde, na Ciência, trabalharmos cada vez mais e melhor, não tenho duvida que aquilo que hoje podemos, mais do que podemos há quatro anos, será muito mais ainda daqui a quatro, se não hesitarmos", disse.
 

Passos acusa PS de querer fazer “experiências perigosas” com a Segurança Social 


O líder da coligação "Portugal à Frente" acusou o PS de não ter negociado a reforma da Segurança Social por medo das eleições e de querer fazer "experiências perigosas" ao ir buscar dinheiro aquele sistema para estimular o consumo.

Em Barcelos, num almoço para assinalar o primeiro dia de pré-campanha, Passos Coelho questionou o PS sobre se "não aprendeu nada" com o passado e reafirmou a necessidade de reformar a Segurança Social para que as pensões atuais e futuras sejam pagas sem que o pais tenha que pedir "mais um resgate".

Também a discursar no mesmo momento de campanha e igualmente de baterias apontadas ao PS, o número dois da coligação, Paulo Portas, disse entender que a recuperação económica incomode os socialistas e realçou que a escolha no dia 04 de outubro será entre um projeto viável, o da coligação, e um impossível, o dos socialistas, apelando ainda a uma "maioria estável" e que dê ao pais uma governação firme, sem referir a maioria absoluta.

"Cada vez que ouço o PS dizer que quer ir à custa da Segurança Social arranjar dinheiro para dar às pessoas, porque isso é importante, arrepio-me todo", afirmou Passos Coelho questionando "como é que é possível que alguém que reconhece a falta de dinheiro na Segurança Social, arrisca depois abrir um buraco, que só em quatro anos será de perto de seis mil milhões de euros, só em 4 anos".


Segundo o atual primeiro-ministro, o que o partido liderado por António Costa quer é dizer às famílias "tomem lá mais dinheiro para poderem gastarem por que isso é bom para a economia".

Por isso, o líder da PàF deixou uma outra pergunta às centenas de pessoas que o ouviam: "Será que não se aprendeu nada com essa experiência no passado e se contínua a querer fazer experiencias perigosas? E depois acusa-nos a nós de querer privatizar a Segurança Social. Dá vontade de rir, se o assunto não fosse tão sério".

Pedro Passos Coelho deixou outra crítica ao PS, mas também um apelo.

"Espero que o PS faça o que devia ter feito e que, com medo das eleições não fez, aceitar sentar-se connosco à mesa e com a concertação social, para desenhar uma fórmula da Segurança Social que restabeleça a confiança das gerações e que ao mesmo tempo dê a garantia, a todos aqueles que ainda estão no ativo a receber os seus descontos de que terão, quando chegar a sua vez, o direito à sua pensão sem que a Segurança Social vá à falência, sem que o pais tenha que pedir mais nenhum resgate", apontou.


Paulo Portas, que ouviu Passos Coelho cantar-lhe os parabéns em dia de aniversário, deixou também críticas ao PS e a António Costasa quem apelidou de "arrogante".

"Quem chamou estrangeiros, lhes deu poder e autoridade para influenciar as políticas em Portugal foi quem levou o país à bancarrota e chama-se Partido Socialista e isso devia convidá-los para uma grande humildade e não para esse género de arrogância", disse.

Além das críticas ao principal partido da oposição, Passos e Portas coincidiram nos elogios aos portugueses, com o número dois da coligação a enfatizar a necessidade do voto na coligação.

"Aquilo que as pessoas tem que escolher é entre um projeto viável e um projeto impossível", explicou Portas pedindo que a 04 de outubro os portugueses "optem por aquilo que é confiável, responsável".

Assim, Paulo Portas apelou a uma "maioria estável que dê ao país uma governação firme".