Os sinais não são animadores. A economia portuguesa está a crescer 0,2% desde o último trimestre de 2015. Ou seja, estagnada. É o que revela a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística divulgada esta sexta-feira.

Para esta evolução, "a procura externa líquida contribuiu positivamente, enquanto a procura interna registou um contributo nulo", refere o instituto.

Na comparação homóloga, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um aumento de 0,8% em volume no segundo trimestre de 2016. E também aqui a comparação não é a melhor, já que no trimestre anterior, face ao homólogo o crescimento foi de 0,9%. E o INE aponta as componentes responsáveis por esta descida.

O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu significativamente, observando-se um crescimento menos intenso do consumo privado e uma redução mais expressiva do investimento", diz INE.

Já a procura externa líquida "passou a ter um contributo ligeiramente positivo, refletindo a desaceleração mais acentuada das Importações de Bens e Serviços em comparação com a das Exportações de Bens e Serviços".

Os dados preliminares, que o INE vai confirmar a 31 de agosto, ficam aquém, pelo menos, da estimativa de alguns analistas que tinham sido contatados pela Lusa, que previam um crescimento de 0,4% em cadeia - trimestre a trimestre - e de 1% em termos homólogos.

Esta estimativa rápida incorpora revisões na informação de base utilizada, nomeadamente decorrentes da utilização dos dados mais recentes do comércio internacional de bens, com revisões em termos nominais e ao nível dos deflatores para o primeiro trimestre de 2016.

O INE frisa que "este novo conjunto de informação não implicou revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB".

A confirmarem-se estas previsões, o Governo fica com a meta de crescimento anual, de 1,8%, inscrita no Programa de Estabilidade, ainda mais comprometida. É que agora, para conseguir 1,8%, será preciso crescer ainda mais no segundo semestre do ano. 

As entidades internacionais estão bem menos otimistas que o Governo em relação ao crescimento da economia portuguesa em 2016. O Fundo Monetário Internacional estima um crescimento de 1% para a economia portuguesa. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico prevê um PIB de 1,2% e a União Europeia aponta 1,1%.