O candidato à presidência da República António Sampaio da Nóvoa disse, este domingo, em Tomar, que as eleições presidenciais “não são a segunda volta das legislativas”, nem servem para resolver problemas “que ficaram eventualmente pendentes das legislativas”.

Durante uma visita à Festa dos Tabuleiros, que hoje decorre em Tomar, Sampaio da Nóvoa disse à Lusa que este é o momento para os candidatos avançarem, sendo para si “impensável que alguém se apresentasse com menos de seis meses de antecedência” em relação às eleições presidenciais, até pelas obrigações impostas por lei.

“Não consigo entender que alguém se apresente a eleições presidenciais com dois meses, dois meses e meio, na sequência de um ato legislativo. O momento de se apresentarem é agora, e até já começa a ser um bocadinho tarde”, disse.


Questionado sobre a eventual candidatura da socialista Maria de Belém Roseira, Sampaio da Nóvoa afirmou que “todas as pessoas que nesta altura entendam que têm um contributo a dar para o debate democrático, em sede das presidenciais, são muito bem-vindas”.

Portugal “precisa de pessoas que tenham coragem, que se apresentem, sem medo, com as suas ideias. E todas as que vierem nessa base são importantes para o nosso debate. Vejo isso de forma muito positiva porque é isso que enriquece a nossa vida democrática”, disse, considerando essencial alargar o espaço democrático do debate.

“O que me preocupa em relação à dignidade das presidenciais, da importância do momento eleitoral das presidenciais, é uma espécie de avanços e recuos, falsos avanços e falsos recuos, agora sim, agora não, agora quero, agora não quero, ainda não ponderei bem, depende do resultado das legislativas, não depende do resultado das legislativas. Isso não é bom para a democracia portuguesa, não é bom para a importância das eleições presidenciais”, disse.


Quanto às declarações de apoio dos partidos, Sampaio da Nóvoa afirmou que lhes cabe decidir “na altura que entenderem melhor para as suas próprias lógicas partidárias”.

“Eu nunca, em momento nenhum, fiz apelos ou desafios a quem quer que seja, ao partido, seja qual for, para que se pronuncie ou deixe de se pronunciar. Eu respeito o tempo dos partidos, têm a sua lógica própria, as suas estratégias, as suas dinâmicas”, declarou.


Num pequeno percurso pelas ruas de Tomar, antes de assistir à cerimónia da bênção dos tabuleiros, na Praça da República, Sampaio da Nóvoa cruzou-se com o candidato da CDU às legislativas pelo distrito de Santarém, António Filipe, e com os deputados social-democratas Duarte Marques e Nuno Serra.

Num ambiente que não é muito propício ao diálogo, como o próprio confessou, alguns populares abordaram-no para confirmar se era mesmo o candidato presidencial ou para lhe desejarem boa sorte.

O contacto com as pessoas é, para Sampaio da Nóvoa, essencial por poder conversar e ouvir, pois “do diálogo e do encontro (…) nasce uma base de confiança que é central para a campanha, a candidatura e a presidência”.

E ao fim de dois meses sente diferenças na abordagem, sobretudo nos meios mais pequenos e nas deslocações que permitem esse contacto mais prolongado com as pessoas.

“Mais importante que a notoriedade é sentir a relação, a capacidade de inspirar confiança, sentirem que posso ser um elemento inspirador de confiança”, disse.