Muitos especialistas do mundo inteiro debatem há meses as consequências da saída da Grã-Bretanha da União Europeia. Apesar de não haver consensos nem certezas, é garantido que nada ficará como até aqui. Mas os media portugueses têm ignorado a problemática de forma sistemática.

O Partido Trabalhista defende a manutenção, tal como os Liberais Democratas, enquanto os Conservadores, no poder, se abstêm. A liderar o Brexit está o UK Independence Party (UKIP), que venceu as últimas eleições europeias, mas há membros de todas as forças políticas a fazer campanha pela saída.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defende a manutenção e negociou com sucesso um estatuto especial para o país. Se o “sim” à Europa vencer, o novo regime entrará imediatamente em vigor.

Em 1975 os britânicos já referendaram a permanência na então CEE, e na altura ganhou o “sim”, com 67% dos votos. Mas, mais de 40 anos depois, o resultado pode ser diferente num país em que Europa é sinónimo do que está do outro lado do Canal da Mancha.

As sondagens dos últimos meses têm sido constantes mas inconclusivas, com o “sim” e o “não” a permanecerem em empate técnico, sempre com valores a rondar os 42 a 45% para cada lado, e os indecisos a rondar os 12% a 15%. Esta semana, a sondagem do YouGov volta a dar resultados semelhantes, mas a do ORB dá 53% ao Brexit, deixando tudo em aberto para dia 23.

Perante a iminência de rutura na EU, é muito questionável o silêncio mediático sobre o tema. Como se Portugal não esteja sujeito a consequências se a Grã-Bretanha sair. Ou, como indicam os especialistas mais radicais, se o Brexit for o princípio do fim da União Europeia.


Ficha técnica


O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.