Fernanda Câncio explica, esta quarta-feira, na revista Visão, a sua versão dos acontecimentos sobre o caso “Marquês”, que envolve o ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates, com quem manteve uma relação. A jornalista diz-se “alvo de uma campanha de calúnias”.

É com imensa repugnância e tristeza que me vejo forçada a fazer estes esclarecimentos públicos, já que me obrigam a entrar em domínios que considero serem da minha vida privada", num extenso artigo da sua autoria. 

Mais de um ano depois do antigo governante ter sido detido no aeroporto de Lisboa, a comunicadora revela:

A detenção de José Sócrates e Carlos Santos Silva, em novembro de 2014, foi um enorme choque”.

O ex-primeiro-ministro e o amigo, Carlos Santos Silva, antigo administrador do Grupo Lena, são dois dos arguidos na “Operação Marquês”, que investiga "suspeitas dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção". 

Câncio refere que "se fizesse ideia da relação pecuniária entre Santos Silva e Sócrates teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável". Fernanda Câncio afirma que “não tinha conhecimento nem motivos para suspeitar”.  

A jornalista diz que não sabia, portanto, que o apartamento onde Sócrates viveu, em Paris, pertencia a Carlos Santos Silva, de que tinha sido “montada uma ‘operação’ de compra do livro publicado por JS [José Sócrates]” ou que tinha sido o amigo do namorado a pagar as férias.

Nunca vi motivo para suspeitar de que quem me convidava não assumia a sua e a minha parte na despesa”.

E acrescenta, mais à frente: “Quem aufere uma avença de 25 mil euros/mês (que JS me disse receber) pode decerto pagar a meias um aluguer como o da casa de Formentera”.

Mas, podia Fernanda Câncio “não saber”?

A jornalista reconhece que “É natural que haja gente bem-intencionada e séria que se questiona sobre como podia eu ‘não saber’”. Mas, Fernanda Câncio alega: “Nunca assisti a gastos que me parecessem ir além das possibilidades de alguém com acesso a um confortável pecúlio familiar e um bom ordenado”.

A Operação “Marquês”

A Operação “Marquês” conta com 12 arguidos, entre os quais o ex-primeiro ministro José Sócrates, que esteve preso preventivamente mais de nove meses, tendo esta medida de coação sido alterada para prisão domiciliária, com vigilância policial, a 4 de setembro de 2015.

Além de Sócrates, são também arguidos no processo o ex-administrador da CGD e antigo ministro socialistaArmando Vara e a sua filha Bárbara Vara, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro,Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro. O MP enviou uma carta rogatória para Angola para constituir arguido o empresário luso-angolano Helder Bataglia.