O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, improvisou esta sexta-feira um rap no palco do Largo dos Afetos no bairro do Cerco, no Porto, prometendo estar sempre "onde está a sua gente".

"Ouvi e gostei deste hip hop do Norte, Portugal será mais forte (…). Aqui no bairro do Cerco onde está a sua gente, estará sempre o presidente", rimou Marcelo Rebelo de Sousa quando subiu ao palco onde tinha acabado de atuar o grupo OUPA, projeto de residentes integrado no programa Cultura em Expansão, da câmara do Porto.

No palco, onde esteve acompanhado pela comitiva da câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, e pelo Bispo D. Manuel Francisco dos Santos, recebeu prendas do presidente da junta de Campanhã, Ernesto Santos: um prato com a antiga ponte de Contumil e um emblema da freguesia.

Já o responsável pelo projeto OUPA referiu que "já sabia que as escolhas de Marcelo eram boas" mas, "feliz” por o novo Presidente da República ter escolhido o Cerco para "se iniciar no rap", disse que "não sabia que eram tão boas", em alusão à rubrica que Marcelo Rebelo de Sousa tinha enquanto comentador político na TVI.

Marcelo Rebelo de Sousa encerra esta quinta-feira no Porto a cerimónia da tomada de posse iniciada na quarta-feira, sendo o primeiro chefe de Estado a estender ao Porto estas cerimónias.

"Já levámos um beijinho", referiam algumas residentes à entrada para o Centro de Dia do Cerco que o Presidente da República visitou e onde foi recebido por crianças e idosos com música e aplausos.

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa, de 67 anos, eleito a 24 de janeiro com 52% dos votos, até deu um autógrafo enquanto seguia do carro até ao palco, enquanto acenava aos residentes do bairro e populares curiosos.

No Centro de Dia quem o esperava era o antigo candidato à presidência da República Tino de Rans que lhe trouxe dois pares de sapatos tamanho 41.

"Ele vai ser o político todo o terreno", afirmou Tino de Rans, que trouxe ainda o pedido de uma visita do chefe de Estado a Rans "que é para ter uma receção calorosa como teve no Porto".

Enquanto falava aos jornalistas, Tino de Rans preparou mesmo o convite oficial ao chefe de Estado, escrevendo numa folha em branco "o meu povo está à sua espera" e assinando Tino de Rans.

Ainda à entrada para o Centro de Dia, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu uma imagem de Nossa Senhora em cristal oferecida pela instituição.

“Presidente dos afetos” recebido com entusiasmo no bairro do Cerco 

O Presidente da República foi recebido por centenas de pessoas no bairro do Cerco com beijos, aplausos e pedidos da população ao som de "hip hop".

"Marcelo aumenta o rendimento mínimo" ou "quero uma casa" foram algumas das frases que se ouviram quando Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao Cerco, na zona oriental da cidade, acompanhado pelo presidente do município, Rui Moreira.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu da pequena Carolina, de 9 anos, acompanhada pela irmã, Leonor, de 2, uma carta na mão escrita pelo pai que, conforme descreveu à agência Lusa, a mãe Sónia Teixeira, pede ao novo chefe de Estado que "seja um bom Presidente e descentralize o poder".

"Desejamos que o mandato corra bem e pelo menos uma vez por ano faça presidência fora de Lisboa", explicou.

"É a principal figura de Portugal e veio cá. Nunca cá veio nenhum", disse Luísa Santos, no Largo dos Afetos, onde ouviu chamarem-lhe "Presidente dos afetos".

Marcelo surpreendido com "calor humano" no Porto

O Presidente da República admitiu esta sexta-feira que o “calor humano” que o recebeu no Porto foi “superior ao que esperava” e deixou uma mensagem de “esperança” que, disse, “é preciso alimentar”.

“O Porto é sempre surpreendente. Eu esperava calor humano, foi muito mais calor que o que eu esperava. Esperava adesão afetiva e foi superior ao que eu esperava. Há realmente aqui um ambiente de alguma esperança, isso faz a diferença e é preciso alimentá-la”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa no final da visita ao Bairro do Cerco, no Porto.

O novo chefe de Estado falou ainda sobre o espaço que visitou, o bairro na zona oriental da cidade que “mostra bem a solidariedade de gentes muito diferentes” que ali se reúnem “e também a valorização que tem sido feita pelo município com o apoio da freguesia, a começar na juventude”.

“O Porto é sempre assim, mas de cada vez que há esta experiência é melhor do que a vez anterior”, assinalou o Presidente da República.

Marcelo emocionado com homenagem "excecional e justa" a Paulo Cunha e Silva

Ao início da tarde desta quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa visitou na Galeria Municipal Almeida Garrett a "P. - Uma Homenagem a Paulo Cunha e Silva por extenso", uma exposição sobre o vereador da Cultura que morreu em novembro.

“Aqui [na mostra “P. – Uma homenagem a Paulo Cunha e Silva por extenso”] há a gratidão do Porto a quem tanto lhe deu e isso é muito bonito, muito emocionante mesmo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, destacando que a visita de hoje ao Porto o tem feito sentir “como se tivesse nascido” na cidade.

O novo Presidente da República destacou ainda “toda a conceção de uma pessoa que fazia e criava permanentemente, que teve um sonho para o Porto e que o foi concretizando”.

“É uma homenagem excecional e muito justa porque é o retrato do homenageado, porque é uma evocação, porque tem a riqueza da vida dele na obra de muitos artistas que ele conheceu bem e o admiravam”, vincou Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado pelos jornalistas sobre como se estava a sentir com a visita de hoje à cidade, o novo PR afirmou: “No Porto… Não sei, a pessoa sente-se como se tivesse nascido no Porto”.

Antes da visita à Galeria Municipal, e após um almoço privado que decorreu na Casa do Roseiral, o chefe de Estado deu um forte abraço ao historiador portuense Germano Silva, nos jardins do Palácio de Cristal, afirmando ser “o homem que melhor escreve sobre o Porto”.

Germano Silva disse aos jornalistas estar nos jardins do Palácio “por acaso”, pensando mesmo que pelas 15:00 o Presidente da República já estivesse “no [bairro do] Cerco”, que visitaria durante a tarde.

O encontro aconteceu perto da capela do Rei Carlos Alberto, construída em 1860, aquando do início do trajeto que Marcelo Rebelo de Sousa percorreu na avenida das Tílias até à Biblioteca Almeida Garrett.

Durante o percurso até à galeria, o chefe de Estado cumprimentou várias pessoas que fizeram questão de lhe dirigir a palavra.

Nesta passagem pelos jardins do Palácio de Cristal, Marcelo Rebelo de Sousa ainda parou junto à tília que homenageia o escritor Vasco Graça Moura, nome que esta quinta-feira de manhã, nas cerimónias nos Paços do Concelho, foi evocado pelo Presidente.

“P. – Uma homenagem a Paulo Cunha e Silva por extenso” é o nome do projeto de artes visuais comissariado por Miguel Von Hafe que inaugura no sábado às 17:00 para documentar o percurso do ex-vereador enquanto pensador e curador de arte, “ao longo dos últimos 25 anos”, descreveu em fevereiro à Lusa Guilherme Blanc, adjunto do presidente da autarquia para a área da Cultura.

Para além de um núcleo documental, a exposição apresenta obras dos seguintes artistas, comissariados por Paulo Cunha e Silva em diferentes momentos do seu percurso: Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Cristina Mateus, Dalila Gonçalves, Gabriel Abrantes, Joana Vasconcelos, João Leonardo, João Louro, João Onofre, João Pedro Vale, Julião Sarmento, Miguel Palma, Pedro Tudela, Rui Chafes e Yonamine.

A mostra inclui ainda uma produção vídeo de Rodrigo Areias e uma performance inédita, concebida por Né Barros e Miguel von Hafe Pérez.

Paulo Cunha e Silva, vereador da Cultura da Câmara do Porto desde que o independente Rui Moreira tomou posse, em outubro de 2013, morreu a 11 de novembro devido a problemas cardíacos.