O percurso previsto da vida de um português é estudar, pelo menos até terminar o ensino obrigatório, e depois entrar no mercado de trabalho. Mas, em cada 100 portugueses entre os 15 e 29 anos, há 15 que não têm qualquer atividade.

Este diagnóstico da OCDE vai muito além dos números e tem consequências imediatas e a longo prazo para Portugal, mas ficou completamente arredado dos destaques noticiosos da semana.

O país está a envelhecer, tem um problema endémico de baixa escolaridade, e ninguém parecem muito preocupado por ter 15% de jovens e jovens adultos sem qualquer tipo de atividade. Mais relevante do que a inação atual, é que estes cidadãos dificilmente voltarão a estudar, terão dificuldades em obter trabalho e serão durante décadas um peso para o Estado, as famílias e a sociedade portuguesa.

Num país em envelhecimento acelerado, estar a desperdiçar 15 dos jovens e da sua capacidade de contribuir para o país é mais do que um problema menor. É um sintoma e consequência de um sistema escolar que não consegue os resultados desejados, como revela o mesmo estudo da OCDE: 1 em cada 3 jovens não completa a escolaridade obrigatória. Sem completar a escola, mais difícil é encontrar trabalho, em especial porque Portugal tem uma das taxas de desemprego jovem mais elevada da Europa.

A consequência mais óbvia do abandono escolar sem entrada no mercado de trabalho é estarmos a criar uma classe de marginalizados profissionais, que a OCDE diz custar 2 mil milhões de euros ao país.

Não é um problema de 2016. Será nos anos próximos, e vai estender-se por pelo menos duas gerações. Os media não veem a tão longo prazo e não deram destaque à notícia. Mas quem tem a principal responsabilidade para olhar para as consequências é o Estado, que obviamente está a falhar na forma com integra os seus cidadãos na sociedade.

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas.

Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

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