Chá, torradas, talvez tenham sido a ementa de mais um pequeno-almoço de Theresa May. Mas é certo que, esta quinta-feira, lhe foi também servida uma posição assumida de Bruxelas. Donald Tusk, o polaco que preside ao Conselho Europeu, foi claro em dizer, ser "do interesse de todos" que o Reino Unido inicie o processo de saída da União Europeia.

É a posição partilhada por todos os 27 estados-membros. Pondo as coisas de forma simples, a bola está do vosso lado. Tenho consciência de que não é fácil, mas espero que iniciem o processo de saída tão cedo quanto possível", afirmou Tusk, esperançado em conseguir, até ao final do dia, definir "um objetivo estratégico comum" com os britânicos.

Na próxima semana, em Bratislava, capital da Eslováquia que atualmente preside à União Europeia, reúnem-se 27 dos países membros para avaliar o cenário após o efetivo Brexit. O Reino Unido fica de fora.

Isto não significa que vamos discutir as relações com o Reino Unido em Bratislava, porque para isso - e especialmente para iniciar negociações - precisamos da notificação formal, ou seja, que seja invocado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa", sublinhou Tusk.

May sem pressas

Sem palavras, ao receber Tusk para o pequeno-almoço, a primeira-ministra deixou para a porta-voz oficial do governo, as despesas da comunicação. Que também não assumiu quaisquer compromissos ou prazos.

Uma oportunidade para falar do processo de saída da União Europeia, é como vemos os próximos meses, mas também para abordar o próximo Conselho Europeu de outubro e alguns dos assuntos que esperamos venham a estar nessa agenda", foram as palavra da porta-voz, esta quinta-feira.

Na véspera, no parlamento britânico, Theresa May recusou fazer qualquer "comentário apressado" sobre o processo do Brexit.

Não tomaremos decisões enquanto não estivermos preparados e não vamos revelar a nossa posição prematuramente", afirmou então a primeira-ministra britânica.

Até agora, a posição percetível do governo britânico é a de não haver pressas para o início formal do processo de saída da União Europeia. Ou seja, a invocação do artigo 50.º nunca deverá acontecer antes do começo de 2017.

Em jogo, para os britânicos, está a vontade de terem controlo sobre as suas fronteiras, restringindo o acesso ao país inclusive aos cidadãos europeus, e um provável interesse em manterem-se no mercado único, mesmo deixando de ser membros da União Europeia.

Procura de outros mercados

Esta quinta-feira, a primeira-ministra Theresa May vai presidir a uma comissão que irá avaliar a questão do comércio após o Brexit.

O Reino Unido e a Austrália já encetaram "discussões preliminares" sobre um novo acordo de comércio. Então, o ministro australiano Steven Ciobo chegou a prever que esse novo tratado só deverá acontecer dentro de dois anos e meio, quando o Reino Unido sair da União Europeia.

Transparece que os britânicos estão já à procura de fortalecer as trocas comerciais com países fora do espaço europeu. A primeira-ministra Theresa May já apontou a Índia, o México, a Coreia do Sul e Singapura como estados a quem poderão ser removidas barreiras comerciais.

Pelo seu lado, o ministro encarregado das negociações do Brexit, David Davis, admitiu que uma "ronda geral de acordos comerciais" será "totalmente negociada" dentro de 12 a 24 meses.