Antes foi uma chama ardente no peito de muitos. Uma chama de sperança, de desejo até, espécie de instinto de conservação duma sociedade que teimam mantê-la na mais profunda decrepitude da humilhação.

Hoje, que é feito dessa chama que foi ardente? Desilusão e mais desilusão, chama que lentamente se foi extinguindo, dando lugar ao mais profundo desalento dos frios gélidos polares.

O que antes fez vibrar milhões de corações esperançados, hoje não passa de cinzas levadas pelo vento das serras da podridão e da corrupção.

Perdeu-se o valor dos valores, da ética, dos direitos dos cidadãos como seres humanos. Perderam-se ideias e ideologias, fabricam-se líderes que jamais o serão, sem capacidade, sem vontade outra que a sua promoção num mundo feito de ilusões, que vive ao sabor de ventos e marés sem rumo certo, sem um porto de abrigo para os mais fracos.

Não há bateria que resista a tanta sacudidela, a tamanhos abanões, a tamanhas fugas á realidade dum triste e desolador dia a dia dum povo que só pretende deixar de ser martirizado.