O presidente da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia defendeu, esta terça-feira, que o tratamento ministrado ao paciente David Duarte, que faleceu vítima de aneurisma, foi o adequado e que o hospital fez bem em não transferir o doente.

Carlos Vara Luíz explicou, em declarações à TSF, que "o tratamento precoce de aneurismas rotos vai até às 72 horas e o doente ia ser operado às 60 horas, ou seja, estava perfeitamente dentro das normas internacionais".


David Duarte deu entrada em São José na sexta-feira, dia 11 de dezembro de 2015 e morreu no dia 14.

O neurocirurgião reconheceu que o doente corria risco de vida, mas desejava que não tivesse morrido sem operação. "Ao menos que não morresse à espera, apesar de ter morrido dentro das normas internacionais" que se baseiam em estatísticas recolhidas em estudos científicos.

No entanto, transferir este doente não seria a solução, segundo o representante desta classe médica em Portugal. A discussão sobre a transferência de David Duarte para outro hospital é "perfeitamente descabida", já que era um "doente com uma gravidade extrema, pelo que andar aos 'tombos' seria impensável", disse na rádio.

Carlos Vara Luíz, também neurocirurgião no Hospital de São José, em Lisboa, defendeu os colegas, afirmando que faria exatamente o mesmo, pois "transferir um doente com um aneurisma roto na cabeça é um enorme risco de morte, entre 20% a 37,5%, pelo que devia ficar, como ficou, numa unidade de cuidados intensivos, vigiado e monitorizado".

A morte de David Duarte, por alegada falta de cuidados médicos, está a ser alvo de investigações, por parte do regulador da saúde e do Ministério Público.

Não foi a primeira vez que a questão da falta de médicos se colocou. Este vazio nas escalas do hospital já tinha sido alvo de outro inquérito por parte da ERS. Desde julho que o hospital de São José tinha sido aconselhado a transferir os doentes com rutura de aneurisma cerebral para outros hospitais, durante o fim de semana.