O procurador-geral sul-africano quer levar o antigo atleta a tribunal o mais breve possível, de modo a que lhe seja lida a sentença revista que agravada. Para isso, foi emitido um mandado de detenção, anuncia a televisão sul-africana, ENCA.

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal de Pretoria considerou que o atleta olímpico tinha sido condenado pelo crime errado, ou seja, os juízes entenderam que estavam perante o caso de um homicídio voluntário de Reeva Steenkamp, e não de um homicídio involuntário, pelo qual Pistorius tinha sido condenado.

A vida de Oscar Pistorius está prestes, por isso, a dar outra reviravolta. Após ter regressado a casa em outubro, em prisão domiciliário, tendo passado menos de um ano na cadeia pela morte da namorada, Pistorius, condenado a cinco anos de prisão, vê agora, a moldura da pena ser agravada em consequência da alteração da tipologia do crime.

O tribunal de recurso de Pretória encontrou dois erros na sentença da juíza Thokozile Masipa. Os juízes do tribunal superior entenderam que a magistrada, erradamente, não considerou o “dolo eventual” presente no crime praticado por Pistorius em 2013, porque, ao atirar quatro vezes contra a porta da casa de banho trancada, seria sempre provável que magoasse alguém. Ou seja, o corredor paralímpico agiu sem respeito pela vida humana, independentemente de saber se se tratava ou não de Reeva Steenkamp.

Por outro lado, a juíza também errou ao não ter em atenção o relatório do perito em balística da polícia, porque este revelava que Oscar Pistorius teria consciência do resultado fatal da sua ação, de acordo com o canal.  

O homem, deficiente motor, que quebrou tantas barreiras. O sul-africano, de pernas amputadas, que defendeu as cores do seu país, ao correr nos jogos olímpicos e não nos paralímpicos. Oscar Pistorius caiu. Depois de ter sido condenado no ano passado a cinco anos de prisão, deve enfrentar agora uma pena entre 15 anos e perpétua.