A crise de refugiados na Europa pode ser uma oportunidade de negócio para a startup portuguesa SPEAK, uma plataforma eletrónica para o intercâmbio de línguas entre residentes e migrantes, afirmou um dos co-fundadores.

Criada em Leiria e atualmente presente em seis cidades portuguesas, a empresa, que está presente na Web Summit, em Dublin, tem a ambição de se expandir para o estrangeiro em 2016, sendo a Alemanha, que este ano se estima que acolha um milhão de refugiados, uma prioridade.

"É o país que precisa mais neste momento de ajuda na integração. Existem cursos de língua para estrangeiros, mas são muito exclusivos e não promove a partilha entre participantes", afirmou à agência Lusa Ricardo Figueiredo.


A SPEAK é uma startup de cariz social que visa ajudar os migrantes a integrar-se no país onde se instalam, promovendo a troca de conhecimentos linguísticos e culturais com residentes locais.

"Ao mesmo tempo que ensina a sua língua e cultura, está a fazer uma sensibilização sobre si, a combater estigmas e a fazer amigos, facilitando a integração", descreve.


As aulas implicam uma interação física, mas a SPEAK criou também uma plataforma eletrónica para a inscrição nos cursos e partilha de materiais pedagógicos.

O modelo financeiro implica que os alunos tenham de pagar 25 euros por 12 semanas de aulas, mas existem bolsas para aqueles com dificuldades económicas e os alunos de português podem recuperar o dinheiro se completarem o curso.

Também são feitas receitas com cursos intensivos, por exemplo para profissionais ou pessoas que tencionam mudar-se para outro país, como portugueses em vias de emigrar.

A SPEAK é uma das dezenas de startups portuguesas que participam atualmente na Web Summit, que se estima que este ano atraia mais de 30 mil visitantes.

A participação na Web Summit visa procurar parcerias e potenciais investidores, à semelhança da também portuguesa School Embassy, startup do Porto.

Nascida da experiência do presidente-executivo Pedro Amendoeira de procurar mais informação para ajudar na escolha de escola primária para a própria filha, criou uma plataforma para os pais partilharem a sua avaliação dos estabelecimentos.

"Os rankings valem o que valem e os relatórios são muito densos. Eu queria saber se as crianças são felizes e produtivas nas escolas e agora, como pai, já sei se gosto ou não gosto", disse à Lusa.


A plataforma, espera, vai também estimular as escolas a melhorar a interação com pais e o público em geral.

Espanha, Reino Unido e Brasil são alguns dos mercados para onde a School Embassy estuda crescer, adiantou o responsável.