A OCDE recomendou esta quarta-feira que Portugal deve melhorar "os esforços para reduzir a desigualdade", uma vez que "os níveis dos benefícios" dos esquemas de rendimentos mínimos "são baixos" e que "a cobertura dos subsídios de desemprego é limitada".

No Economic Outlook, hoje divulgado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) escreve que "as sobreposições e o direcionamento insuficiente nos programas de transferências devem ser combatidos para reduzir a desigualdade e os níveis de pobreza".

A OCDE já tinha publicado um relatório em maio em que alertou que o fosso entre ricos e pobres diminuiu, mas que Portugal continua entre os países mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consolidada da OCDE.

Num relatório que analisava a evolução da desigualdade de rendimentos nos últimos anos em todos os países da organização e também economias emergentes como a China ou a Rússia, o relatório referia que a desigualdade de rendimentos e a pobreza aumentaram durante a crise.

"Nos primeiros anos da crise, a desigualdade de rendimentos antes de impostos e benefícios aumentou fortemente, mas os impostos e benefícios amorteceram a subida. Nos anos mais recentes, enquanto a desigualdade de rendimentos antes de impostos e benefícios continuou a subir, o efeito de amortecimento abrandou, acelerando a tendência geral de aumento da desigualdade do rendimento disponível", notava a OCDE.


Entre 2011 e 2012, Portugal registou uma redução de 0,343 para 0,338 no coeficiente Gini, que mede as desigualdades de rendimento (0 para os países com igualdade de rendimentos e 1 para os países com maior desigualdade de rendimentos), o que faz com que Portugal seja o nono país mais desigual entre os 34 da OCDE, acima do índice médio destes países, que é de 0,315.

No mesmo relatório, a organização prevê um défice abaixo dos 3% este ano, ao mesmo tempo que defende a redução do IRC.