E lá está... Chega Setembro e lá temos os futebois no pico Evereste mediático nacional. Não só são os jogos do costume, é toda a ação dentro e fora de campo. São os dribles desportivos e económicos a animar as hostes. É ainda o reciclar da vitória no euro e a entrada de Éder no campeonato dos livros de autoajuda. O futebol é uma galáxia.

Ou será um buraco negro?! No contraste que foi ver-se durante o verão tantos desportos que as Olimpíadas proporcionaram, esta aparente diversidade temática dentro do futebol é apenas uma gigante monocultura desportiva na dieta mediática portuguesa. Não admira que as responsabilidades pedidas pelo desempenho dos atletas no Brasil têm de ser bem distribuídas: o caso raro de Portugal ser um país com três diários desportivos e sobretudo a obsessão da televisão com o futebol têm de ser parte da explicação. O futebol é um sorvedouro: de capitais, de público, de espaço mediático, de ex-políticos, de atuais secretários de estado, etc., etc.

Houve um furacão de trágicas notícias a varrer o top 10 dos temas mais destacados na comunicação social. Entre os 6 temas mais mediatizados 4 foram desta natureza. Esta enorme cadência de crimes de sangue e catástrofes naturais parecem ter expulso a política pura da tabela, nesta semana. Menos mal, haverá bastante tempo para esses outros futebois: daqui até à discussão do Orçamento de Estado será um crescendo nessa matéria.

Por contraponto, um tema que merece destaque é o da política impura. O Brasil teve a sua segunda singularidade presidencial desde o infame Collor de Melo. Dilma, talvez a pessoa que afastou mais corruptos, é ela própria afastada, por maquiavélicos mecanismos, de uma posição para onde tinha sido legitimamente eleita. Trágico corolário para um Partido Trabalhista que tinha levantado tanta gente da pobreza e desenvolvido tanta política industrial de calibre mundial.

Para finalizar, curiosa última posição do tema “Estágios profissionais”. Na mira estão empresas que recebem do Estado e querem também receber dos estagiários. Dá que pensar. Se os suspeitos da fraude tivessem sido os trabalhadores, este escândalo teria tido tão pouco impacto?

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.