Muito embora os abastados consumidores que se podem dar a tais luxos só representem 12% dos consumidores a nível mundial, John Meyer, director da Acxiom, uma empresa de soluções de marketing, revela que ainda existem.

Segundo um recente inquérito realizado pela Prince & Associates, uma empresa de estudos de mercado especialista em fortunas privadas, os consumidores com um património líquido superior a 30 milhões de dólares não estão a ser beliscados pela recessão. Cerca de 60% responderam que continuariam a esbanjar dinheiro em colares de diamantes de 200.000 $.

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«Os ultra abastados (indivíduos com um património líquido superior a 30 milhões de dólares) ainda vão comprar artigos muito caros, mas vão ser mais selectivos», refere Silvia Springolo da Grail Research, um fornecedor global de informações de mercado. «Ainda valem muitos milhões, e não vão mudar o seu estilo de vida assim de um momento para o outro. Vão continuar a comprar artigos exclusivos, intemporais e de elevador valor».

Mas porque é que alguém haveria de gastar tanto dinheiro num par de óculos de sol ou num relógio em plena recessão? Existem três razões principais: a marca, o custo inerente dos materiais e o trabalho do artesão.

Apesar de alguns estilistas inflacionarem o preço só porque

uma peça exibe o seu nome, outros permanecem fiéis ao real custo das horas de trabalho necessárias para coser à mão, bordar e montar o artigo, refere Milton Pedraza, CEO do The Luxury Institute, uma empresa de consultoria de estilos de vida luxuosos.

Para criar vestido de seda de Óscar de la Renta, 14 costureiras trabalharam arduamente durante 36 horas, enquanto para se fabricar um fato Kiton são necessárias mais de 20 horas para cortar à mão, coser e engomar. Peças de roupa que usem intricados bordados ou penas trabalhadas podem também fazer disparar os preços, explica Ann Frank, professora de fashion design na Parsons New School of Design.

Porém, há casos em que o custo do artigo do estilista reflecte, principalmente, a etiqueta estampada no vestido ou na embalagem.

Por exemplo, a pele de crocodilo não é extremamente cara e encontra-se com alguma facilidade, mas é com frequência inflacionada pelos estilistas.

O truque para descobrir quais as peças de luxo que valem os exorbitantes preços é conhecer a história da casa de design, sugere Frank. «É como uma obra de arte. Precisa de saber o valor por detrás da peça, não apenas se é bonita».