O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Olivier Blanchard afirmou esta terça-feira que a economia da Europa do Sul «continua ser a mais preocupante», uma vez que o crescimento que se espera para 2014, de 1%, «é frágil».

Numa nota distribuída aos jornalistas com a intervenção de Blanchard na conferência de imprensa de hoje, em Washington, o economista referiu que «as exportações são fortes» nas economias europeias em crise, mas que a procura interna «é fraca, penalizada pelas ligações entre uma atividade fraca, bancos fracos, empresas fracas e a necessidade de uma consolidação orçamental», escreve a Lusa.

«O crescimento sustentado vai implicar cortar essas ligações e basear-se tanto na procura externa como na interna», reiterou.

No entanto, em relação ao resto da Europa, Olivier Blanchard considerou que «as condições são significativamente favoráveis no Reino Unido e no centro da Europa», uma vez que as dívidas públicas estão «em caminhos sustentáveis» e que «a consolidação orçamental está, acertadamente, a abrandar».

O Fundo, que atualizou hoje as suas previsões no 'World Economic Outlook', que foi publicado em outubro, estima agora que o Reino Unido cresça 2,4%, que a economia alemã aumente 1,6% e que a França apresente um crescimento mais modesto, de 0,9%.

Olivier Blanchard destacou dois riscos em particular: por um lado, a normalização da política monetária nas economias avançadas e, por outro, a possibilidade de deflação na zona euro.

No caso da normalização da política monetária nas economias avançadas, Blanchard afirmou que a expectativa dessa normalização já foi incorporada nas taxas, mas alertou que é de esperar «movimentos complexos de capital entre países por algum tempo», prevendo que as economias emergentes sejam as mais afetadas.

Quanto ao risco de deflação na zona euro, Olivier Blanchard disse que «quanto mais baixa for a taxa de inflação e maior for a taxa de deflação, mais perigoso isso se torna para a recuperação do euro».

«Deflação significa taxas de juro reais mais altas, dívidas públicas e privadas mais pesadas, procura mais baixa, crescimento mais baixo e mais pressões deflacionistas», explicou, acrescentando que, para evitar esse risco, «a política monetária acomodatícia [de juros baixos] continua a ser essencial».