O FMI considera que o sistema bancário «sombra» está a crescer nas economias avançadas.

Segundo a Lusa, no Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado esta quarta-feira, o FMI estima que o sistema bancário «sombra» tenha ativos entre 15 e 25 biliões de dólares nos Estados Unidos (11,9 e 19,8 biliões de euros) e entre 13,5 e 22,5 biliões de dólares na zona euro (10,7 e 17,9 biliões de euros). Já nos mercados emergentes o valor é estimado em 7 biliões de dólares (5,6 biliões de euros), sendo que nestes o crescimento está já a superar o do sistema bancário tradicional.

«O atual ambiente financeiro nas economias avançadas continua propício a um maior crescimento do sistema bancário sombra», lê-se no relatório do FMI, que diz encontrar indícios que apontam para a «migração de algumas atividades, como a concessão de empréstimos a empresas, dos bancos tradicionais para o setor não bancário».

Apesar de a origem da crise financeira também ter estado ligada a este sistema bancário «sombra» ou paralelo (shadow banking em inglês), o FMI diz que ele pode ser benéfico ao ter um papel complementar ao sistema bancário mais tradicional, ao ampliar o mercado de crédito, injetar mais liquidez e partilhar riscos.

No entanto, a instituição mostra-se preocupada com o aumento do risco sistémico devido a este sistema «sombra» e sobretudo nos Estados Unidos, onde tem muita força, pelo que pede maior monitorização uma vez que «a crise financeira global revelou que, com a ausência de regulamentação adequada, o sistema bancário sombra pode pôr o sistema financeiro em risco».

Segundo o chefe da Divisão de Análise Financeira Global do FMI, Gaston Gelos, o sistema bancário ‘sombra’ cresce com o aumento da rigidez das regras sobre os bancos, quando as baixas remunerações dos ativos levam os investidores à procura de retornos mais elevados e quando há uma grande procura por ‘ativos seguros’ como companhias de seguros e fundos de pensões.

O FMI refere-se especificamente aos fundos de investimento que apostam em ativos para dizer que, segundo as suas estimativas, desde 2009 estes cresceram de 35% para 70% do PIB (Produto Interno Bruto) nos Estados Unidos e de 35% para 65% do PIB na zona euro.