A «tribo» do Festival Músicas do Mundo volta a reunir-se, a partir de sexta-feira, desta vez não só em Sines, mas também em Porto Covo, para nove dias de sons de diferentes geografias.

Uma das principais novidades da 16.ª edição do Festival Músicas do Mundo (FMM) é o regresso, após quatro anos de interrupção, a Porto Covo, resultado da «vontade política do novo executivo» camarário, explicou à Lusa o diretor e programador Carlos Seixas.

A preocupação quanto ao futuro do FMM, manifesta na última edição do festival, quando já se adivinhava a mudança de poder local, parece ter-se dissipado. Reconhecendo que, em Portugal, «há sempre» a hipótese de os projetos culturais mudarem ao sabor das alterações no poder, Carlos Seixas destaca que todos os partidos têm demonstrado «interesse em continuar com o festival», que já «tem uma certa raiz, cresceu bastante, para que um dia possa acabar».

O FMM «é um evento de serviço público», que tem também «impacto na economia local» e «gera riqueza», destaca o diretor, reconhecendo que «obstáculos existem sempre», para um festival que «nunca» será «capaz de atingir a autossustentabilidade», pelo menos não com este formato, que, por exemplo, inclui «muitos concertos de entrada gratuita».

Embora o festival conte com apoios de patrocinadores e receitas comerciais, «é de salientar a generosidade que a Câmara Municipal de Sines demonstra, desde o primeiro dia, para que este festival exista e exista desta forma», realça.

A chamada música do mundo «é um circuito» sem «grandes barreiras económicas» e o FMM acaba por ser o encontro anual de «um clube, unido numa mesma tribo, a grande tribo da música», descreve Carlos Seixas. «Os artistas gostam de estar por cá, gostam de vir aqui mostrar o seu trabalho, temos uma forma simpática de receber os artistas», destaca.

Porém, se é verdade que o interesse pela música do mundo «tem crescido», não se podem ignorar os efeitos da crise nos últimos anos. «O número de festivais na Europa baixou, as dificuldades são grandes, mas todos temos que nos adaptar a estes novos tempos», observa Carlos Seixas.

Apesar disso, as expetativas para a 16.ª edição do FMM - que se realiza sexta, sábado e domingo, em Porto Covo, e entre os dias 21 e 26, em Sines - «são as melhores» e «tudo está preparado para receber o público que habitualmente se desloca» ao festival, garante.

O FMM tem tido uma assistência «bastante fiel» e o diretor espera que «esta edição seja, ao nível do público, tão boa como no ano passado», quando acolheu cerca de cem mil espetadores.

Sublinhando que o «festival procura dar um tratamento equilibrado a todos os artistas», Carlos Seixas destaca a presença de «algumas das grandes figuras da música do mundo», como Angélique Kidjo (Benim), Mulatu Astatke (Etiópia), Oliver Mtukudzi (Zimbabué) e Kayhan Kalhor (Irão), e «talentos da nova geração», como Tigran (Arménia), Fatoumata Diawara (Mali), Roberto Fonseca (Cuba), Ibrahim Maalouf (França/Líbano) e Reza Mortazavi (Irão).

Os sons da lusofonia estarão presentes através de sete músicos portugueses: Custódio Castelo & Shina (sexta), Ai! (dia 21), Zé Perdigão «Sons Ibéricos» (dia 22), Galandum Galundaina (dia 24), Júlio Pereira (dia 25) e The Soaked Lamb (dia 26), todos às 19:00, e Gisela João (dia 25, às 21:45).

A estes juntam-se a moçambicana Selma Uamusse (dia 20, 21:30), os são-tomenses Conjunto África Negra (dia 23, 19:00), o angolano Nástio Mosquito (dia 24, 23:15) e a cabo-verdiana Mó Kalamity (dia 25, 02:30).

América Latina e Ásia são as regiões com maior representação nesta edição, que promete «uma volta ao mundo» em nove dias de concertos e outras atividades, como exposições, cinema, conversas com escritores e músicos, ateliês para crianças e debates ¿ na sexta, às 15:00, o investigador italiano Alessandro Portelli vai falar sobre um projeto de recolha de música feita por migrantes.