Ao analisarmos os dados do Barómetro de Notícias de 2014 e 2015 percebemos facilmente que os festivais de verão têm lugar cativo nos destaques noticiosos entre meados de maio e finais de agosto. Dados consultados no site da Aporfest (Associação Portuguesa de Festivais de Música) mostram que, em 2015, 67% dos festivais ocorreram entre junho e setembro, o que não está muito longe da história que nos contam os números do Barómetro. Assim, com os festivais marcados para o mesmo espectro temporal, 2016 não deverá fugir à regra do que tem vindo a acontecer neste últimos dois anos. Espera-se, pois, que haja uma intensificação dos destaques dados aos festivais de música durante os próximos meses.

Os chamados grandes festivais como o Rock in Rio, o NOS Alive, o NOS Primavera Sound, o MEO Sudoeste ou Vodafone Paredes de Coura são, regra geral, os mais destacados. Festivais mais “alternativos”, que também movimentam muitas pessoas, como é o caso do Andanças, do Festival de Músicas do Mundo ou o Festival do Crato não conseguem tanto destaque por parte dos media. 

A associação de canais de televisão e/ou rádios oficiais a este tipo de eventos não será estranha ao destaque que lhes é dado, acrescentando também a aposta das marcas patrocinadoras em «criar notícia» à volta destes festivais. 

Por exemplo, com a SIC a ser a televisão oficial do Rock in Rio e a RTP do Nos Alive é hábito que seja dado algum espaço privilegiado, nos noticiários, ao que vai acontecer e ao que acontece nestes festivais. As próprias marcas que os patrocinam também trabalham no sentido de lhes dar maior visibilidade, conseguindo ser noticiáveis, sobretudo numa época do ano em que as notícias sobre lazer são mais apetecíveis. 

Num rápido exercício de análise, olhando para os dados do barómetro de 2015, por exemplo, conclui-se que o festival mais destacado foi o Nos Alive. Ora, dados da Aporfest mostram que a este festival assistiram 155 mil pessoas, nesse ano. Já o Festival do Crato, que contou com 100 mil pessoas, não chegou sequer aos destaques. 

É caso para pensar se a escolha dos festivais de verão para destaque está no valor notícia ou no valor dos patrocínios.

 

 

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 414 notícias destacadas diariamente em 16 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 3 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN, DN e Jornal i), as 5 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 5 primeiras notícias nos jornais televisivos das 20 horas (RTP1, SIC e TVI) e as 3 notícias mais destaques nas páginas online de 5 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, SOL, TVI24 e SIC Notícias.