O líder parlamentar socialista afirmou esta quinta-feira que a política está a atingir «graus baixos» quando PSD e CDS tentam isolar uma frase «imprecisa» de António Costa perante a comunidade chinesa para a usarem como arma de arremesso.

Perante os jornalistas, à entrada para a reunião semanal da bancada socialista, o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, criticou o PSD e o CDS por estarem a tentar explorar as declarações proferidas por António Costa, num evento promovido pela comunidade chinesa, na semana passada, na Póvoa de Varzim.

«Estar a tentar isolar uma frase imprecisa de uma intervenção de António Costa para a utilizar como arma de arremesso contra ele e contra o PS é a demonstração que a política em Portugal também atingiu graus baixos de debate político. O vice-presidente da bancada socialista Vieira da Silva já disse [na quarta-feira ao fim da tarde] o que tinha a dizer», reagiu Ferro Rodrigues em declarações à Lusa.


Alfredo Barroso, ex-chefe da Casa Civil do Presidente da República Mário Soares e fundador do PS, anunciou já a sua demissão deste partido, classificando como «vergonhosa» a intervenção de António Costa aquando das comemorações do novo ano chinês, na semana passada, no Casino da Póvoa de Varzim.

«Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E, numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores, disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos atrás», disse, na altura, o líder socialista, António Costa, ao agradecer o apoio dos investidores chineses em Portugal.

Interrogado se considera que o líder socialista e presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, foi infeliz no seu discurso perante a comunidade chinesa na Póvoa de Varzim, Ferro Rodrigues contrapôs que «ninguém tem dúvidas sobre qual a opinião» do secretário-geral do PS «sobre a situação do país». 

«Ninguém tem dúvidas sobre qual é a opinião de António Costa sobre as políticas de austeridade, nem ninguém tem dúvidas de que a evolução do país levou a que Portugal ficasse agora mesmo, perante a Comissão Europeia, debaixo de uma vigilância apertada devido a questões económicas financeiras e sociais. Ainda hoje saiu uma notícia proveniente da Comissão Europeia indiciando que o desemprego vai estabilizar em níveis muito altos. Ninguém tem dúvidas que António Costa tem essas opiniões, sempre as teve e sempre as exprimiu», contrapôs Ferro Rodrigues.