O presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, acredita que a conjuntura económica está «perto do fundo», mas antecipa «um semestre difícil pela frente», o que obriga a petrolífera a adotar uma estratégia menos dependente da Península Ibérica.

Na conferência de imprensa de divulgação dos resultados do primeiro semestre deste ano, Ferreira de Oliveira afirmou que «a Galp aguenta-se fruto da sua atividade internacional», numa altura em que o contexto adverso em Portugal e Espanha continua a afetar as vendas da petrolífera nacional.

Apesar dos sinais de inversão na quebra do consumo em Portugal, com a desaceleração da redução da venda de combustíveis verificada sobretudo entre abril e junho, o gestor diz que a empresa está preparada para o pior.

«Antecipamos um semestre difícil pela frente, com a continuação do ambiente recessivo. Tentamos reduzir custos enquanto aguardamos que novos ventos soprem», acrescentou, citado pela Lusa.

De acordo com os dados da Galp, em Portugal, o consumo de gasolina e de gasóleo caiu 5% no primeiro semestre, enquanto em Espanha a redução foi de 8 e 6%, respetivamente.

No primeiro semestre, a Galp conseguiu aumentar as exportações em 19% em relação ao semestre homólogo, para mais de dois mil milhões de euros, com o gasóleo a substituir a gasolina como produto mais exportado, graças ao investimento feito nas refinarias de Matosinhos e de Sines. Espanha, Estados Unidos, Gibraltar e Marrocos foram os principais mercados de destino.

Com esta evolução, as exportações da Galp representaram 9% do total das exportações nacionais nos primeiros cinco meses do ano, elevando o contributo que, em 2012, foi de 7% (3,2 mil milhões em 45,4 mil milhões).

O lucro da Galp caiu 9,3% no primeiro semestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, atingindo os 162 milhões de euros, devido ao início da amortização de investimento, anunciou hoje a empresa.

Em comunicado divulgado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa adianta que, em termos trimestrais, a Galp registou um resultado líquido ajustado de 86 milhões de euros, o que representa uma descida de 42 milhões face ao mesmo período do ano passado.

O resultado líquido ajustado (RCA - Replacemente Cost Adjusted) exclui o efeito ¿stock¿ e eventos não recorrentes e é considerado como o indicador que melhor descreve o desempenho da empresa.

Em relação à venda da participação de 5% que detinha na espanhola Companía Logística de Hidrocarburos (CLH) por 111 milhões de euros à British Columbia Investment Management Corporation, Ferreira de Oliveira explicou que «nunca foi um ativo estratégico».

«Era um investimento financeiro e decidimos que era altura de alienar. Não tínhamos nenhuma relevância nesse ativo», acrescentou.