A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considera que diminuiu o grau de dificuldade do exame nacional de Matemática B no ensino secundário, e criticou a forma como algumas questões são colocadas no enunciado.

«Comparando com a prova da 1.ª fase do ano passado, verificamos que o grau de dificuldade diminuiu no que diz respeito ao tema Probabilidades; o único item deste ano é trivial, ao contrário do que sucedeu no ano anterior, com questões sobre a distribuição normal», lê-se no parecer emitido, esta quinta-feira, pela SPM.

O mesmo aconteceu quanto à Geometria: «Na verdade, a única questão do Grupo IV que envolve conhecimentos específicos do ensino secundário é a questão 1.2.1, que é, aliás, de resposta imediata».

A sociedade indica que a prova cobre corretamente os diversos conteúdos do programa, não contendo incorreções científicas, e que a extensão do exame é adequado, tendo em conta o tempo destinado à resolução.

Porém, diz que o enunciado daquele grupo é, «como muitas vezes sucede nestas provas», bastante complicado, fazendo com que as principais dificuldades sejam «não de natureza matemática, mas sim de interpretação e compreensão».

Para a SPM, continuam a existir questões de resposta trivial, como as 2.1 do Grupo II, 1.1.1 e 1.1.2 do Grupo III, além de 1.2 do Grupo III e 1.2.1 do Grupo IV. «Note-se que a cotação total destas perguntas é de 5 valores, um quarto do total da prova», frisa.

«A prova pode ser completamente resolvida sem necessidade do formulário anexo, o que nos leva a questionar a sua utilidade», refere-se no documento.

A distribuição das cotações é considerada equilibrada, embora a sociedade questione se devem existir questões valendo apenas cinco pontos.

«Esperamos que em futuras provas se retome o processo de melhoria destes exames», conclui o Gabinete do Ensino Básico e Secundário da SPM.

Esta prova é realizada pelos alunos do ensino secundário (10.º e 11.º ano) que não têm Matemática A.

Sobre o exame nacional de Matemática A, realizado também esta quinta-feira, a SPM entendeu que está «em conformidade com o programa de 11º e 12º anos» e não contém incorreções.

«Consideramos que este exame está bem estruturado e tem um nível de dificuldade semelhante ao do exame correspondente realizado no ano de 2013, exigindo tanto proficiência de cálculo como domínio dos conceitos», assinala-se no parecer.

A SPM sublinha que a distribuição do nível de dificuldade das várias questões permite «a distinção dos bons alunos», possibilitando também que o aluno médio, que se tenha preparado devidamente, obtenha uma classificação que reflita adequadamente o seu nível de conhecimentos.

A prova é considerada pela SPM «bem estruturada e adequada ao seu objetivo».

Quase 63 mil alunos do ensino secundário eram hoje esperados nas escolas para os exames nacionais, com destaque para as provas de Matemática, com cerca de 53 mil inscritos.