O cabeça de lista do PS às eleições europeias defendeu, este sábado, que a política de sacrifícios «só acaba» com a derrota da direita. Francisco Assis considerou «grave» que o líder da coligação Aliança Portugal fale do aumento de impostos com «leviandade».

De acordo com a Lusa, e à margem da abertura de mais uma conferência «Novo Rumo para Portugal», este sábado à tarde, em Braga, Francisco Assis apontou que Paulo Rangel, quando afirmou, em entrevista ao jornal «i», que o período de «verdadeiros sacrifícios acabou» só terá razão se «paradoxalmente» ele e a direita, de que é «rosto», perderem as eleições de 25 de maio.

Para o candidato socialista, o voto no PS para o Parlamento Europeu é um «voto de castigo» para um Governo que «acentuou» a crise, mas também um «voto de esperança» num país e numa Europa diferente.

«Se houver uma mudança política na Europa acabou [o período de verdadeiros sacrifícios], se não houver não acabou. Essa é que é, justamente, a grande questão que se vai colocar nestas eleições», comentou Assis quando confrontado com a afirmação de Rangel ao «i».

«O Dr. Paulo Rangel, paradoxalmente, só terá razão se perder as eleições», concluiu. Isto porque, para Assis, se Portugal continuar pela «linha de orientação» do Governo e que consta no Documento Estratégia Orçamental recentemente apresentado está «condenado a crescimentos económicos medíocres» e a uma situação de crise «durante muito tempo».

Por isso, realçou, o país tem que se «libertar» e «não pode continuar com um nível de austeridade tão elevado como aquele que o Governo praticou» e que, para Assis, «é responsável pela recessão profunda» que o país está a viver.

Ao «i», Paulo Rangel afirmou ainda que o aumento de imposto apresentado pelo Governo é «muito marginal», o que, de acordo com Francisco Assis, é uma afirmação «grave».

«É grave que o Dr. Paulo Rangel fale com essa leviandade de aumentos de impostos que vêm contradizer em absoluto tudo o que o primeiro-ministro e vários ministros do Governo tinham afirmado até poucos dias antes de tal suceder».

Assis considerou ainda que estas afirmações revelam «despudor absoluto por parte da atual maioria parlamentar e dos seus candidatos ao Parlamento Europeu».

Questionado sobre se o voto do PS, dia 25 de maio, era um voto de castigo ao Governo, Assis afirmou que sim, mas não só.

«É um voto de castigo num Governo que acentuou a crise e não é capaz de impor, no quadro europeu, politicas que nos permitam um crescimento económico que não seja medíocre mas ao mesmo tempo um voto de esperança. Esperança numa Europa diferente, esperança de um pais diferente nessa mesma Europa», finalizou.