Para o bem e para o mal, a Europa está presente como aqueles parentes – um irmão ou uma irmã – com os quais temos relações complicadas, mas que não podemos, e nem queremos, simplesmente apagar do nosso horizonte. E como nestas relações, também na Europa há momentos bons e maus. Há momentos em que a festa – um aniversário, o natal, um nascimento – permite, durante algum tempo, suspender as tensões e gozar do estarmos juntos. Os jogos europeus são alguns desses momentos.

Mas há os momentos maus, em que as tensões se intensificam e a tentação de voltar as costas pode aumentar. A Comissão Europeia concluiu que Portugal não fez o suficiente para conter o seu défice. Entretanto, a questão fica suspensa e a bola – para não fugir ao tema – passa para o Ecofin, ou seja, o conselho dos ministros das finanças dos estados membros, que são quem tem de decidir se e como avançar com as sanções. Será com certeza um bom momento para testar a solidariedade entre os estados membros, e ver se, ao contrário, a lógica dos países ‘incumpridores’, dos irmãos ‘irresponsáveis’ que dissipam o dinheiro de família irá continuar.

Entre os temas que seguem no barómetro encontramos depois outros dois, infelizmente, constantes: o terrorismo e os bancos portugueses. O terrorismo também é um tema europeu, pois grande parte do euroceticismo – frequentemente acompanhado por instâncias anti-imigração – pretende encontrar justificação, também, nele. E enfim, quanto aos bancos, ou melhor o Banco, este sim, é bem português, o “exit” foi da administração da Caixa Geral de Depósitos.

E se estamos habituados a falar de bancos como entidades sinistras e opacas, desta vez apercebemo-nos que dentro dos bancos há pessoas a trabalharem, que a restruturação anunciada por Mário Centeno, o qual falou de um redimensionamento no número de efetivos e na presença internacional do banco, pode pôr a CGD em sérias dificuldades.

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.