O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, disse esta sexta-feira que se a economia grega se deteriorar devido à complicada situação financeira do país, isso não significa que afete toda a economia europeia.

"Todos trabalhamos com a convicção de que esta situação se vai resolver, que vamos ter um acordo", disse Constâncio, em conferência de imprensa após uma reunião dos ministros da Economia e Finanças da União Europeia.

"Mesmo que, nesse cenário, o crescimento da Grécia abrande devido à situação dos últimos meses, isso por si só não afetará a recuperação da Europa no seu conjunto."



A situação da Grécia parece estar a deixar a Europa impaciente. 

Tal como era de esperar, a reunião do Eurogrupo que decorreu esta sexta-feira em Riga, na Letónia, terminou sem um acordo sobre a Grécia. No entanto, os ministros pedem que se acelerem as negociações e deixam um alerta: “O tempo está a esgotar-se.” 

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, voltou a reiterar que ainda existem "grandes diferenças" por superar nas negociações com a Grécia e que, antes de receber mais dinheiro, ainda está em falta "um acordo global" sobre a lista de reformas a implementar. 

A ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque revelou que na reunião houve um "tom de frustração" quanto à situação grega, por falta de progressos após dois meses de negociações, acrescentando que ainda não houve entendimentos em áreas específicas.

A chanceler alemã Angela Merkel também afirmou esta sexta-feira que espera que a Grécia possa chegar a um acordo com os parceiros europeus rapidamente, mas sublinhou que Atenas tem de mostrar vontade de implementar as reformas necessárias. 

"Do lado da Alemanha estamos preparados para providenciar o apoio que for pedido. Mas claro que as reformas têm de ser feitas."


A chefe do governo alemão considera que o governo grego tem de implementar certas medidas, nomeadamente privatizações, e assumir um compromisso com os credores para poderem receber dinheiro.