O dirigente socialista Eurico Brilhante Dias advertiu hoje que, se o Governo PSD/CDS tiver de negociar um programa cautelar com a União Europeia, não terá reunidas as condições políticas para o fazer em nome de Portugal.

Esta posição de Eurico Brilhante Dias foi transmitida em conferência de imprensa, depois de o Governo irlandês ter anunciado que o seu país vai sair do programa de assistência financeira no próximo mês sem necessidade de um programa cautelar.

Interrogado se o atual executivo liderado por Pedro Passos Coelho deverá demitir-se caso Portugal tenha de se sujeitar a um programa cautelar, o membro do Secretariado Nacional do PS deu a seguinte resposta: «O Governo deve assumir as suas responsabilidades».

«Se o Governo tiver de negociar um novo pacote, não me parece que tenha reunidas as condições para o fazer em nome do país», declarou o porta-voz do PS para as questões económicas e financeiras.

De acordo com Eurico Brilhante Dias, tal como foi agora anunciado pelo executivo de Dublin, Portugal «deve caminhar para o objetivo do regresso pleno aos mercados».

«A Irlanda recusou a possibilidade de ter um programa cautelar, alegando que preenchia os requisitos para ter um regresso pleno a mercado. Por isso, não podemos cair na discussão sucessiva, que vem desde São Bento [gabinete do primeiro-ministro], em que se pretende fazer crer aos portugueses que um programa cautelar será outra coisa completamente diferente de um segundo programa, mas isso não é verdade», sustentou.

Nas respostas às perguntas dos jornalistas, Eurico Brilhante Dias advogou que «importa que o país se foque no essencial».

«A Irlanda vai sair do programa sem assistência financeira. Esse é o nosso objetivo e é isso que devemos prosseguir», frisou o dirigente do PS.

Questionado sobre o que fará o PS se Portugal se sujeitar a um programa cautelar, Eurico Brilhante Dias observou que já «por duas vezes o secretário-geral do PS perguntou ao primeiro-ministro se estava em preparação outro programa e a resposta foi sempre a mesa, que o Governo continuava empenhado em cumprir este programa, apesar dos ministros da Economia, das Finanças e dos Negócios Estrangeiros terem vindo a fazer um conjunto de comentários em torno de um possível programa cautelar».

«Cumprir este programa significa que Portugal chegará ao fim em junho do próximo ano em condições de um regresso pleno. É óbvio que qualquer outra solução é um falhanço de implementação desse programa. Isso é da responsabilidade do Governo. Não há mais responsáveis», acrescentou.