A dois meses das eleições, a corrida está relançada.

Hillary Clinton continua favorita e mantém-se na frente, com grande vantagem, em todos os estudos para o Colégio Eleitoral, aquilo que vai realmente contar para a eleição do próximo Presidente dos EUA.

Mas Donald Trump reentrou na luta pela vitória: depois várias semanas a afundar-se nas sondagens, logrou reduzir para metade a diferença que tinha para a liderança de Hillary.

Em menos de um mês, a vantagem de Hillary passou de folgada (10, 15 pontos) para… apenas clara (4 a 5 pontos).

A nova estratégia, dirigida por Kellyanne Conway, passa por mostrar um candidato mais soft com as minorias.

Primeiro, deu para estranhar (como seria possível que Donald Trump, depois de estar mais de um ano a chamar ‘violadores’ e ‘traficantes de droga’ aos imigrantes ilegais mexicanos, deposite esperanças em arrecadar grande votação nos latinos?).

Mas num segundo momento já deu para se falar numa ‘surge’ de Trump: recuperou a liderança que havia perdido na Carolina do Norte, passou para a frente no Iowa e encurtou significativamente a desvantagem em estados decisivos como o Iowa, a Virgínia ou a Florida (já na Pensilvânia, Hillary parece continuar muito forte e certeira na estratégia que está a adoptar). 

Os novos estrategas de Trump terão percebido que não seria matematicamente possível sonhar com uma reversão desta corrida se o candidato continuasse a excluir segmentos cada vez mais decisivos em eleições presidenciais na América.

E a agenda do nomeado republicano mudou radicalmente em poucos dias.

Trump até foi à Great Faith Ministries, no passado dia 3 de setembro, na primeira visita que fez a uma igreja negra. Falou de direitos cívicos, citou Abraham Lincoln, reclamando-se como “o candidato que pode defender as comunidades negras atacadas pela pobreza”.

“Estou aqui para ouvir a vossa mensagem e espero que a minha presença aqui possa ajudar para que a vossa voz chegue a novas audiências no nosso país e muitas dessas audiências tem necessidade desesperada de receber o vosso pensamento e o vosso espírito”. 

Quem diria, há umas semanas, que este foi um discurso de Donald Trump, dirigido a fiéis negros?

Com esta nova atitude, Trump recuperou alguma da base republicana que hesitava em apoiá-lo. Ainda não chega para ameaçar seriamente a liderança de Hillary, mas serviu de fôlego a uma campanha que começava a definhar.

Esta nova “face” de Trump tem merecido fortes críticas do campo democrata.

O Presidente Obama, em entrevista a Fareed Zakaria, disse estar “convicto e otimista de que o povo americano saberá rejeitar Trump”.

E Howard Dean, antigo líder do DNC e ex-governador do Vermont, foi mais longe: “Trump não percebe a dimensão do racismo porque é racista”.

Hillary volta a responder aos jornalistas, 275 dias depois

Hillary tremeu, mas está longe de ter caído.

Depois de várias críticas e apelos a que voltasse a responder aos jornalistas em conferência de Imprensa (não o fazia desde dezembro de 2015), Hillary Clinton terminou finalmente esse longo silêncio, 275 dias depois.

O momento para Hillary, no início de setembro, é de retomar as rédeas da corrida e travar danos.

A candidata democrata deixou a insinuação de que a Rússia de Putin tem interesse numa eleição de Trump. Retomando assim ideia deixada pelos democratas no início da Convenção de Filadélfia: “O facto dos nossos profissionais dos serviços de inteligência estarem a estudar essa hipótese, e a levarem-na a sério, aponta questões sérias sobre uma possível interferência da Rússia no nosso processo eleitoral”.

Hillary garante estar “pronta” para a reta final da campanha e até desafiou os jornalistas com uma tirada para refrear dúvidas sobre o seu estado de saúde: “Mais pronta do que vocês!”

E nem tudo foi negativo nas últimas semanas de Hillary: a campanha da democrata arrecadou valor recorde em financiamento durante o mês de agosto (143 milhões de dólares) e a economia americana somou 151 mil novos postos de trabalho nesse período (o desemprego é agora de 4.8% na América).

Os estrategas de Hillary continuam a ver “vários caminhos possíveis para os 270 Grandes Eleitores”.

A verdade, porém, é que a corrida presidencial está relançada na América. O primeira debate, a realizar na Universidade Hofstra, em Nova Iorque, a 26 de setembro, pode ser um momento decisivo.