“Não sei como não estamos a liderar as sondagens por muito. A nossa campanha numa esteve tão unida”, Donald Trump, nomeado presidencial republicano.

Que trambolhão, Donald!

O nomeado presidencial republicano terminou a sua convenção com pequena vantagem nas sondagens nacionais, mas não resistiu a uma forte convenção democrata, muito mais unida e mobilizadora na mensagem de uma América positiva e no caminho da recuperação, e está agora a pagar o preço das diatribes que multiplicou nos últimos dias, em tentativa surreal de retomar uma estratégia de ‘quanto pior melhor’, que se revelara particularmente eficaz nas primárias.

Hillary descolou, chega a ter 15 pontos de avanço em alguns estudos (sondagem McClatchy/Marist, 4 de agosto, dá 48% a Clinton e apenas 33% a Trump) e o mapa do Colégio Eleitoral, refletindo as tendências estado a estado, coloca, a três meses das eleições um desequilíbrio político que não se verificava nos EUA desde a reeleição de Reagan: 357-181, desta vez a favor dos democratas, com Trump a perder territórios supostamente conservadores, como a Carolina do Norte.

A candidatura Trump está em choque.

Para tentar minimizar danos, Donald despediu dois assessores, mas há rumores de que, internamente, o próprio Paul Manafort, diretor de campanha que substituíra Corey Lewandowski há pouco mais de um mês, discorda totalmente do estilo ‘off message’ que Donald insiste em aplicar nos seus comícios. 

Mas Trump, admita-se, continua a ser Trump. Depois de dizer que que Hillary “é o diabo”, considerou que a adversária “pode ser considerada a fundadora do ISIS”, pelas políticas “desastrosas” que diz ter tido para o Médio Oriente, enquanto secretária de Estado. 

Sucede que este tipo de comportamento do nomeado presidencial republicano não está a ter, na corrida à eleição geral, o acolhimento que teve no processo de primárias.

Crescem as vozes, do lado republicano, que defendem uma mudança radical na estratégia de Donald. Gail Collins, no New York Times, em artigo com o título sugestivo "Intervening Donald Trump", aponta: "Será verdade que os republicanos estão a tentar que Rudy Giuliani e Newt Gingrich intercedam junto de um Donald Trump fora do controlo?"

Mas Trump não dá qualquer sinal de querer ir por aí.

Recusou endossar as campanhas de Paul Ryan, speaker republicano do Congresso (que na terça tem primárias republicanas para a nomeação a congressista no Wisconsin, contra Paul Nehlen, um forte apoiante de Trump) e John McCain, que já chegou a insultar, e que busca mais um mandato como senador no Arizona.

"Gosto de Paul, mas estes são tempos terríveis para o nosso país. É preciso liderança forte. Ainda não estou no ponto de o apoiar”, referiu Trump, sobre Ryan.

Este tipo de comportamento do nomeado republicano faz somar críticas de figuras importantes da direita americana.

Como Newt Gingrich, líder da Revolução Republicana nos anos 90, em pleno consulado Bill Clinton, hoje um dos principais comentadores conservadores da televisão americana.

O que disse Newt sobre Donald? “Trump está a comportar-se como se isto ainda fossem as primárias e houvesse 17 candidatos. Ele não fez a transição para ser um potencial presidente dos EUA, o que é uma liga bem mais dura”, comentou em entrevista à FOX Business. “As pessoas vão vê-lo todos os dias, tudo o que disser e fizer pode ser tirado do contexto, e ele ainda não está a ter um desempenho à altura do que é preciso”.

A questão chave é: algum dia estará? Ou será que, com os devaneios dos últimos dias que levaram à descolagem de Hillary nas sondagens, Donald já estragou tudo?

O Presidente Obama, um dos grandes trunfos da campanha Hillary por estes dias, tem tido posição especialmente assertiva em relação ao tema: «Trump tem que começar a ter um comportamento de presidente. Até agora, não tem tido".

Sinais de vida para Trump

Em grande sondagem nacional NBC/WSJ, Hillary confirma vantagem confortável de nove pontos (47/38), liderando com grande margem entre as mulheres e os negros. Mas Trump aparece à frente no eleitorado branco e nos homens e ainda lidera em alguns ítens importantes para a eleição geral.

Sondagem NCB News/Wall Street Journal (31 julho/3 agosto):

Hillary 47 / Trump 38

Nove pontos de avanço para Hillary, em sondagem que reforça tendência dos últimos dias da forte liderança democrata na corrida presidencial de 8 de novembro.

A mesma sondagem, no entanto, aponta que Trump contincontinua à frente em alguns ítens importantes:

-- Mudar as coisas em Washington: Trump 48 / Hillary 26

-- Lidar com a Economia: Trump 46 / Hillary 42

-- Lidar com o Crime: Trump 44 / Hillary 36

-- Defender a América: Trump 41 / Hillary 39

Hillary lidera nos seguintes temas:

-- Lidar com o terrorismo:  Hillary 44 / Trump 43

-- Lidar com a imigração: Hillary 49 / Trump 39

-- Mudar o país para melhor; Hillary 42 / Trump 36

-- Ser um bom «commander in chief»: Hillary 46 / Trump 35

-- Melhorar a posição da América no mundo: Hillary 47 / Trump 33

-- Ter a capacidade de lidar com uma crise: Hillary 51 / Trump 33