O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, esta quarta-feira distinguido com o título de doutor «Honoris Causa» pela Universidade de Coimbra, defende que todos os países são responsáveis por mudar o cenário económico mundial, escreve a Lusa.

«Todos nós temos uma quota-parte na mudança deste cenário mundial que não assusta, só revolta», disse Xanana Gusmão aos jornalistas, após a cerimónia que decorreu na Universidade de Coimbra.

O chefe do Governo timorense frisou que um grupo de 17 países subdesenvolvidos, em que Timor-Leste se integra, está a «levantar uma voz para ser ouvida pela comunidade internacional» sobre a eficiência da ajuda aos países pobres e necessitados.

«Nós os pequenos, nós os pobres, nós os afectados por conflitos, afectados por erros, por incapacidade de construir um Estado democrático, uma sociedade tolerante, estamos a juntar a voz. E posso dizer que estamos a ser ouvidos», disse o chefe do Governo timorense.

«A discussão deve ser permanente», adiantou.

Questionado sobre se, nos dias de hoje, ainda se considera um resistente, admitiu que sim, definindo a resistência como «um espírito de desejo de mudança».

Sobre os problemas económicos a nível mundial, Xanana Gusmão frisou que enquanto a Europa e os Estados Unidos atribuem culpas recíprocas sobre a situação, aos países subdesenvolvidos cabe cumprir as regras oriundas do que classificou como uma «balança de poderes e influências».

«Somos nós sempre os culpados, somos nós que temos de obedecer a todas as regras», disse.

Sobre a distinção «Honoris Causa» pela Faculdade de Letras de Coimbra afirmou sentir-se «pequeno, mas muito honrado».

«Devo confessar que nunca esperei, sinto-me levado a um cume demasiado alto», sublinhou Xanana Gusmão.