O secretário-geral do PCP afirmou este sábado, em Alpiarça, que Cavaco Silva vai enganar-se na data do fim da austeridade, considerando que o fim da dependência externa depende da determinação do povo português.

«Cavaco Silva foi igual a si próprio, mas, tal como em outras ocasiões, vai enganar-se», disse Jerónimo de Sousa, acrescentando que «Cavaco data a austeridade e a dependência, esquecendo-se que quem pode determinar a data e o fim desta política é o povo português».

O dirigente comunista participou hoje no almoço comemorativo do Dia Internacional da Mulher, que juntou cerca de 400 pessoas no pavilhão do Águias de Alpiarça, não poupando críticas às posições manifestadas pelo chefe de Estado no prefácio do 'Roteiros VIII', que tem como tema o pós-troika, e no qual o Presidente da República considera «uma ilusão» pensar que as exigências de rigor orçamental vão desaparecer após a conclusão do programa de ajustamento, avisando que, pelo menos até 2035, Portugal continuará sujeito a supervisão.

«Cavaco anunciou, vejam lá, que até 2035 Portugal não se livra da canga, do capital financeiro e dos mandante da União Europeia, tomando os especuladores e os mega bancos como Deus omnipresente e omnipotente», criticou Jerónimo de Sousa.

«Sobre a saída do pacto de agressão, a Cavaco Silva não interessa a forma, interessa é não fazer muito barulho, até porque há eleições dia 25 de maio», observou o dirigente comunista, aludindo à posição de Cavaco Silva, que defende que a decisão sobre um eventual programa cautelar deve ser tomada «no momento adequado», «evitando alaridos precipitados» e tendo em conta a evolução dos mercados, da situação internacional e o sentimento dos parceiros europeus.

«Cavaco Silva afirma-se assim como uma caixa de ressonância das políticas de direita, com um mérito: dá um sopapo naquela conversa fiada de Paulo Portas que até pôs um relógio a trabalhar a dizer quando era o fim da troika, a datar o fim da protetorado, e a libertação do país em maio», considerou.

«Melhor contributo para natalidade seria demitir o Governo»

Jerónimo de Sousa diz que «o melhor contributo para a natalidade em Portugal seria demitir o Governo e convocar eleições».

«De falsidade se trata quando o atual Governo vem afirmar que irá avançar com medidas de apoio à natalidade. É a hipocrisia a reinar», acusou, lembrando as «mais de 50 mil crianças que perderam o direito ao abono de família, só num mês».

«Depois choram lágrimas de crocodilo», criticou o dirigente comunista.

«Hoje morre-se mais em Portugal do que nascem pessoas e isto resulta de políticas concretas deste Governo do PSD e do CDS», defendeu, considerando que «não há apoio à natalidade sem defender os valores da maternidade e da paternidade como função social expressa na Constituição da República, com a responsabilidade do Estado, das famílias e das entidades patronais assumindo a sua responsabilidade para com a renovação de gerações».

Jerónimo de Sousa disse ainda que «não há defesa da maternidade e da paternidade nas políticas laborais que comprometem PS, PSD e CDS, quando se defende o aumento e a desregulação dos horários de trabalho e a intensificação dos ritmos de trabalho que impedem os trabalhadores de ter tempo para os seus filhos».

O secretário-geral do PCP criticou também o que considerou ser «demagogia». «Quando se nega o direito às mulheres de decidirem o momento e o número de filhos que desejam ter, quando há discriminação das jovens no acesso ao trabalho por decidirem engravidar, quando existem pressões para que não gozem as licenças de maternidade e paternidade, quando faltam vagas em creches públicas e crescem no privado, quando se corta nos apoios sociais», elencou.

«O melhor contributo à natalidade e à proteção da maternidade e da paternidade em Portugal seria demitir este Governo e convocar novas eleições dando a palavra ao povo», advogou.