Por: tvi24 / SM | 30- 7- 2010 12: 6
A sociedade actual é hiper-sexuada e tem vindo a matar o erotismo, na opinião do sexólogo Júlio Machado Vaz, que assim
justifica o «folclore» que é a criação do Dia Internacional do Orgasmo, que se assinala no sábado.
«Em termos globais,
sou renitente aos dias de, não porque muitas causas não sejam actuais, mas porque revelam sempre atraso na luta por estas
causas. Quanto a este dia, não penso que o orgasmo precise assim tanto de ser defendido», comentou em entrevista à agência
Lusa Júlio Machado Vaz.
Para o sexólogo, «é algo que se insere num folclore em expansão nesta sociedade que é hiper-sexuada
ao mesmo tempo que tem vindo a matar o erotismo».
Aliás, o Dia Internacional do Orgasmo foi precisamente criado há
alguns anos por uma rede de sex shops britânicas, o que foi encarado como forma de conquistar mais clientes e incentivar ao
consumo.
O excesso de «sexo pelo sexo» e de «sexo em termos comerciais» tem afastado as pessoas de cultivarem «o
sexo como fonte de prazer e de comunicação».
«O erotismo tem vindo a ser trocado por um sexo imediatista, mecânico
e hidráulico», resumiu.
Em termos históricos, o sexólogo elege a Grécia Antiga, a lírica trovadoresca e o amor grotesco
como os períodos que melhor representam a «génese do amor pelo amor».
Quanto ao orgasmo, Júlio Machado Vaz frisa
que fisiologicamente é de fácil definição, mas que a nível psicológico e de sensação é significativamente diferente entre
homem e mulher.
«No ciclo de resposta sexual, é a explosão da excitação, que se traduz por uma sensação psicológica
de prazer e a nível fisiológico por contracções musculares, alterações respiratórias e cardíacas», explicou.
Em termos
fisiológicos, o orgasmo é igual independentemente do género, «mas a percepção psicológica é diferente e muito mais variada
e rica na mulher».
«Se interrogarmos 100 homens sobre o que sentem, 99 dizem praticamente a mesma coisa. Se interrogarmos
100 mulheres é como passar de Vénus para Marte», compara.
Júlio Machado Vaz atribui às diferentes sensações e percepções
das mulheres a responsabilidade por muitas julgarem que nunca atingiram o orgasmo: «É isso que faz com que nos apareçam mulheres
em consultas de sexologia a dizerem que não conseguem atingir o orgasmo e que saem passado 50 minutos aliviadíssimas a dizer
que afinal atingiam, mas não era como a amiga tal dizia».
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