
É a reacção de José Saramago à pretensão de Alberto João Jardim proibir o regime comunista em Portugal. Na sua habitual coluna no «Diário de Notícias», o escritor alerta para a vontade de mudança de um político.
«A inteligência de Jardim não é nado do outro mundo, mas, em compensação, a sua esperteza parece não ter limites», começa por escrever, acrescentando: «Como limites parece não ter a nossa ingenuidade. Imaginar aquele Berlusconi madeirense fora dos salões e dos gabinetes reservados do poder era o que se poderá chamar um não-ser absoluto, uma contradição em termos».
«Jardim nasceu para mandar e mandará até ao último suspiro. Detestando Portugal como detesta, nunca aceitaria ser presidente da República, bastar-lhe-á sê-lo de Madeira, Porto Santos e Selvagens. No fundo, o que a proposta de lei pretende é estabelecer em Portugal uma constituição configurada à sua própria medida, isto é, curta, redonda, sem bicos», frisou, falando, então, do fim do comunismo:
«Os comunistas têm uma longa e dura experiência de vida na clandestinidade, ilegalizá-los equivaleria a ter de levantar todas as pedras espalhadas por esse Portugal fora para ver se haveria algum escondido debaixo delas».