Por: Redacção / CP | 22- 2- 2009 18: 53
O escritor José Saramago comparou os métodos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aos usados pelos exércitos
medievais, sustentando que ninguém que se considere humano aprova o sequestro para alcançar objectivos políticos, diz a Lusa.
Numa
entrevista publicada este domingo no diário colombiano «El Espectador», o Prémio Nobel da Literatura fala sobre a sua visão
do conflito colombiano e aproveita para enviar uma mensagem de apoio aos reféns em poder das FARC, que classifica de terroristas.
«Não
podemos libertá-los, podemos enviar-lhes a nossa solidariedade e a nossa impotência. Mas, quem sabe, muitas impotências juntas
talvez façam uma potência: é bom que nos manifestemos todos. Para consolar, para pressionar, para nos salvarmos da humilhação
de haver gente sequestrada», afirmou.
Para Saramago, as FARC «não nos oferecem mais do que o poder tem feito sempre,
ao longo da história, que é exercer a força contra os mais fracos», e comparou a guerrilha aos exércitos medievais, que faziam
uma «política de terra queimada».
Questionou-se, se algum dia os rebeldes chegassem ao poder, «manteriam o sequestro
e a morte como linha de actuação? Para isso é necessária uma revolução? Não actuam de forma tão criminosa como George W. Bush?».
«Que diferença existe entre os sequestros de Guantánamo, as guerras preventivas no Iraque, as torturas nas prisões secretas
e aquilo que [as FARC] fazem?», continuou.
«A minha existência de homem e de escritor está justificada neste momento»
Apontou
que espera poder abraçar o ex-deputado colombiano Sigifredo López, libertado a 5 de Fevereiro pelas FARC, ao fim de um sequestro
de quase sete anos, na sequência do trabalho de uma comissão humanitária liderada por Pieded Córdoba, dirigente do movimento
social e humanitário Colombianos por la Paz.
Saramago disse que chorou quando, ao ver a conferência de imprensa realizada
após a libertação, Sigifredo López fez uma alusão a personagens de uma obra sua, recentemente transposta para o cinema.
«Choro
com facilidade, e não por culpa da idade. Mas, desta vez, vi-me obrigado a romper em soluços quando Sigifredo [López], para
exprimir a sua infinita gratidão a Piedad [Córdoba], a comparou à mulher do médico de Ensaio sobre a Cegueira. Toda a minha
existência de homem e de escritor está justificada nesse momento», confessou.
Programação - Semana de 13 de Fevereiro a 19 de Fevereiro
Discurso DirectoPrograma onde o que conta é a palavra do cidadão.
Olhos nos OlhosA análise semanal de Medina Carreira.
Observatório do Mundo «A marcha dos jovens contra o aborto», hoje à noite.