A mandatária do PS para a juventude, Carolina Patrocínio, diz que não está arrependida de ter mantido a escolha de se envolver na campanha para as eleições legislativas e de contribuir, na medida do que lhe é possível, para a reeleição de José Sócrates. Em entrevista ao «i», a jovem, de 22 anos, revela que não tenciona fazer da política uma carreira, mas não abdica do «dever cívico» de participar nas causas em que acredita.

Carolina Patrocínio, que foi notícia porque pedia para lhe tirarem as grainhas da fruta, diz que «a vida é feita de riscos e quem tem medo fica em casa». Por isso, não deu ouvidos a quem a aconselhou a não se envolver.

«Não tenho qualquer intenção de fazer carreira política ou sequer de vir a ser militante de um partido. Aquilo que sinto é o dever cívico de participar sempre nas causas em que acredito, sejam elas de natureza política, social ou de cidadania», afirma.

Empenhada na reeleição de José Sócrates, Carolina Patrocínio destaca-lhe como qualidades «uma grande coragem política e uma forte determinação para levar a cabo as transformações de que Portugal necessita». A mandatária da juventude entende que, ao contrário dos outros líderes partidários, Sócrates tem uma «visão realista» e faz «uma leitura correcta da sociedade portuguesa». «É certo que nem sempre escolhe o caminho mais fácil, mas as rupturas e as reformas de fundo também nunca se fizeram com paninhos quentes», sublinha.

No que diz respeito a cenários pós-eleitorais, Carolina Patrocínio considera que o PS não deve fazer alianças com outros partidos, caso não obtenha maioria absoluta no próximo dia 27 de Setembro.

«Acho que, se o PS vencer sem maioria absoluta, deve governar mesmo em minoria. Não sou analista política, mas face àquilo que tem sido o posicionamento dos partidos da oposição, julgo completamente improvável um governo de coligação», defende. «E governar em minoria também poderá significar uma maior responsabilidade da oposição na crítica ou no apoio às medidas do governo», remata.

«Para as legislativas votei sempre PS»

Ao contrário do que foi publicado em alguns jornais, Carolina Patrocínio não precisa de autorização de José Sócrates para dar entrevistas sobre política. E tal como qualquer outro cidadão, Carolina Patrocínio passou a estar autorizada a votar assim que atingiu a maioridade.

A mandatária do PS para a juventude diz que vota «desde os dezoito anos, ou seja, desde 2005» e acrescenta que «para as legislativas votei sempre PS». Esta afirmação é, no mínimo, incongruente: tendo nascido a 27 de Maio de 1987, Carolina Patrocínio completou 18 anos a 27 de Maio de 2005. Só que as últimas eleições legislativas foram no dia de 20 Fevereiro de 2005... três meses antes, portanto.