O presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) acusa os pais de se «demitirem das responsabilidades enquanto educadores» ao permitirem que os filhos saiam à noite e bebam em excesso, escreve a Lusa.

Para o presidente do IDT, João Goulão, não faz sentido a ideia de que os progenitores desconhecem o que fazem os filhos: «Os pais têm de saber que os filhos bebem quando saem à noite» e por isso, conclui, estão a «demitir-se das suas responsabilidades enquanto educadores».

«Quando saem, muitos jovens bebem álcool e também bebem o juízo», disse João Goulão, em entrevista à agência Lusa.

Começam a beber cada vez mais novos

Além das mazelas directas para a saúde do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, João Goulão lembra que essas noitadas podem terminar em gravidezes não desejadas, no contágio de doenças sexualmente transmissíveis, envolvimento em actos de violência e acidentes de viação.

Os consumidores de álcool apresentam «com mais frequência envolvimento com experimentação e consumo de tabaco e substâncias ilícitas e envolvimento em lutas e situações de violência na escola», alerta o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool, do IDT, em discussão pública desde Fevereiro.

De acordo com estudos referidos no plano, os jovens começam a beber cada vez mais novos e em cada vez mais quantidades: o início do consumo de álcool está a aumentar entre os 15 e os 17 anos, tendo passado dos 30 por cento em 2001 para os 40 por cento em 2007.

Sabe o que é «binge»?

Além disso, os mais novos estão a adoptar perigosos padrões de consumo até agora associados aos povos nórdicos, de «grandes exageros aos fins-de-semana».

Quase metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos admitiu ter tido, pelo menos uma vez no último ano, um consumo tipo «binge» (mais de quatro doses de bebida numa só ocasião) e 11,2 por cento dos adolescentes entre os 15 e os 19 anos assumiram «ter-se embriagado no último mês», refere o relatório, citando um estudo nacional.

«Os portugueses estão a adoptar padrões de consumo nórdicos, ou seja, de grandes exageros ao fim-de-semana e quase abstinência durante a semana», afirmou o presidente do IDT.

João Goulão lembrou que os portugueses bebiam «tradicionalmente num contexto de convivialidade: Quando havia uma reunião de amigos, as pessoas iam conversando, discutindo e bebendo».

A nova tendência de beber

«Agora, nesta nova forma de beber, muitas pessoas embebedam-se mesmo antes de ir ter com os amigos. Bebem rapidamente muitas quantidades com o intuito claro de alterar o seu estado de consciência e depois é que vão para a rua. É a nova tendência de beber dos jovens», alertou.

O «binge drinking» é responsável por 27 mil mortes acidentais, dez mil suicídios e dois mil homicídios todos os anos na Europa, refere o relatório do IDT.

«Este tipo de consumo não é exclusivo dos jovens e cerca de 80 milhões de europeus com idade superior a 15 anos disseram ter praticado "binge drinking" pelo menos uma vez por semana, em 2006», lê-se ainda no Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool.

195 mil mortes na Europa

Com base em estudos internacionais, o documento acrescenta que «cerca de 25 milhões de europeus com mais de 15 anos de idade referem que o «binge» foi o seu padrão habitual de consumo no último mês».

«Embora o consumo médio de álcool tenha vindo a decrescer na UE, a proporção de jovens e jovens adultos com padrões de consumo nocivos cresceu na última década em muitos dos Estados-membros», estando os menores de idade entre os que apresentam padrões mais preocupantes, destaca o documento.

O álcool causa anualmente 195 mil mortes na Europa, sendo a faixa etária entre os 15 e os 29 anos a mais afectada.