Por: Redacção / PP | 2- 2- 2012 21: 9
A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite afirmou esta quinta-feira que os funcionários públicos «trabalham para
uma empresa falida» e «tudo lhes pode acontecer», menos o desemprego, ao contrário do sector privado.
Manuela Ferreira
Leite falava numa conferência no ISCTE ¿ Instituto Universitário de Lisboa, com o tema «É possível ser um país mais justo
e alcançar a consolidação orçamental?», em que também participou o antigo ministro da Segurança Social e actual deputado socialista
Vieira da Silva.
A também anterior líder do PSD disse não ver que «outra política» orçamental poderia Portugal seguir
neste momento, dada a dependência que tem do «dinheiro que lhe dão» as instituições financeiras.
Para Manuela Ferreira
Leite, algumas medidas poderiam é ser mais bem explicadas, dando a este propósito o exemplo dos cortes salariais na função
pública: «No caso dos funcionários públicos, acho que se poderia sempre justificar dizendo que são pessoas com pouca sorte
que trabalham numa empresa falida. E quando uma pessoa trabalha numa empresa falida, desde o desemprego a salários em atraso,
tudo lhes pode acontecer».
«Eu prefiro esta explicação do que algumas que dão a sensação de que os funcionários
públicos não tinham desemprego e outros [trabalhadores do sector privado] tinham. Isso é que é profundamente injusto. Uma
empresa quando despede funcionários por motivos de natureza financeira, é porque provavelmente o produto que vende não tem
escoamento no mercado e por isso está em falência. Não é o caso dos funcionários: os serviços públicos têm sempre venda e
procura. E portanto não há desemprego, acho bem que não haja desemprego», acrescentou.
Manuela Ferreira sublinhou
que é preciso lembrar que os funcionários públicos são «médicos, polícias ou professores», não correspondendo na sua maioria
à imagem do «contínuo num corredor à espera de ver passar alguém».
Durante a conferência, a ex-ministra das Finanças
disse ainda que num processo de consolidação orçamental é inevitável aumentar as receitas através dos «antipáticos impostos»,
sobretudo sobre os rendimentos, sendo a classe média a principal atingida.
«Não há outra solução», disse Ferreira
Leite, acrescentando que, de qualquer forma, é preciso não esquecer que não é só o Estado que está sobre-endividado. «Todo
o país» está nessa situação e, portanto, também as famílias têm de fazer um ajustamento não podendo ficar de fora desse processo.
Quanto
às despesas, defendeu que é preciso ver «qual é principal origem»: segurança social, saúde e educação, reconhecendo que são
«áreas sensíveis» onde as mudanças «criam desconforto».
A ex-ministra voltou a insistir em que, porém, serviços
de saúde e educação só poderão continuar a ser gratuitos para as pessoas de rendimentos mais baixos se uma parte dos portugueses
passarem a pagá-los.
Se não for assim, os serviços continuarão a ser gratuitos, mas maus, o que só afectará as pessoas
de rendimentos mais baixos, sublinhou, considerando que «isso é que seria uma injustiça social».
A este propósito,
Vieira da Silva disse não ter «muitas dúvidas» sobre a necessidade de «repensar o modelo de financiamento», defendendo que
no caso da saúde ainda há «margem significativa paras ganhos de eficiência», o que já não acontece na educação.
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