
Manuel Alegre, notícia nos últimos dias pela sua ausência nas comemorações do 25 de Abril, em solidariedade com os Capitães de Abril, em protesto contra a política atual, político, poeta, lança um livro de poesia sob o título «Nada está escrito». O futuro também não. O que acha o histórico do PS e antigo candidato à presidência da República que vai acontecer a Portugal?
Diz no presente, em entrevista ao Jornal de Negócios, que «já estamos a bater no fundo do poço!». E vaticina: «Isto pode ser outra vez tempo de revoluções e contra-revoluções, de grandes explosões sociais».
Vivemos tempos de «indigência em todos os sentidos. Cultural, política, até literária. É um tempo muito unidireccionado». E, para onde, está virado este tempo? Alegre queixa-se que «a economia sobrepôs-se à política, não há espaço para mais nada». O homem com história vai ao ponto de dizer que «viveu outros tempos: ditadura, guerra colonial, exílio. Tempos muito difíceis. Mas acabavam por ser mais fáceis. Havia um horizonte.(¿) Preferia ser ocupado por um exército estrangeiro do que estar a lutar contra esta ameaça invisível ¿ os especuladores, os mercados, que invadem a nossa vida».
Manuel Algre explica que «havia um pacto social nascido no pós-guerra: a democracia política com justiça social. Um pacto entre socialistas e democratas-cristãos que está a ser rasgado», tudo isto «a partir da queda do muro de Berlim».
Há uma ameaça invisível, mas há rostos. Culpados? «A Alemanha tem essa eficiência que assusta. A verdade é que já destruíram duas vezes a Europa, e a si próprios. Agora não estão a usar armas nem a fazer nenhuma ocupação militar, mas estão a fazer uma ocupação ideológica.
Por cá, «o PS já foi julgado, já perdeu eleições. Antes tinha havido Cavaco Silva e o desperdício brutal».