
O alto representante do secretário-geral das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio, disse à Lusa, que o «medo, desconfiança e ressentimentos» provocados pela crise são uma «mistura explosiva» que é preciso resolver.
«Costumo dizer que esta crise não é só uma questão de números, de orçamento e de financiamentos. No centro da crise estão pessoas, pessoas que temem pelos seus empregos, que receiam pelo seu futuro. No centro da crise estão cidadãos que começam a ficar dominados pelo medo, pela desconfiança e pelo ressentimento, uma mistura explosiva a que há que saber dar resposta», afirmou o ex-Presidente da República português.
A resposta deve ser política no plano nacional e europeu, «para além das respostas cívicas que os cidadãos possam organizar», disse Jorge Sampaio, que coordena em Istambul, desde quinta-feira, a conferência de doadores da Aliança das Civilizações.
«A crise atual que as sociedades europeias enfrentam não é só financeira, nem económica, nem política, mas é também uma crise de valores, de cultura e de civilização. E deste ponto de vista, há sinais preocupantes de que a situação na Europa se está degradar», alertou Jorge Sampaio.
«As bases e os laços de confiança em que assenta o contrato social parecem estar a deteriorar-se, não só no plano da construção da nossa casa europeia comum, mas também a nível nacional no seio dos nossos Estados», sustentou, ainda.
Jorge Sampaio, que pretende triplicar o orçamento da Aliança das Civilizações, organiza pela primeira vez uma conferência de doadores, que se prolonga até segunda-feira, na Turquia, e que vai reunir mais de uma centena de delegações de governos que compõem a Aliança, incluindo Portugal, representantes das organizações internacionais, membros da Aliança, do setor privado, de fundações e filantropos.