Uma investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Maria João Guia, estudou as relações entre imigração e criminalidade e concluiu que «os estrangeiros não são mais criminosos do que os portugueses».

Maria João Guia disse esta terça-feira à agência Lusa que «os imigrantes não são mais criminosos do que antes, nem cometem mais crimes do que os portugueses, apesar de haver diferença nas proporções dos grupos».

No dia 10 de Outubro, a investigadora do CES defendeu a sua dissertação de mestrado, intitulada «Imigração e criminalidade - caleidoscópio de imigrantes reclusos», um trabalho que realizou sob orientação da professora Maria Ioannis Baganha, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

«Existem factos em comum entre determinadas nacionalidades e determinadas condenações», verificou, frisando, no entanto, que «também os imigrantes contribuem para o avanço da economia e da sociedade» em Portugal.

As estatísticas em que Maria João Guia baseou o seu estudo foram sobretudo dados sobre reclusos estrangeiros, em 2002 e 2005, facultados pela Direcção-Geral de Serviços Prisionais.

«Concluiu-se que os imigrantes, em geral, não cometem hoje mais crimes do que antes», refere na contracapa da sua tese, que a autora e a Livraria Almedina apresentam quarta-feira, às 18h00, em Coimbra, na loja da editora no Estádio Municipal.

Estão ainda agendadas sessões de lançamento da obra em Lisboa, no dia 24 de Novembro, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, e no Porto, em 3 de Dezembro, na Livraria Almedina Arrábida.

«Quatro grupos de imigrantes»

«Através da análise de diversas variáveis, tais como nacionalidade, sexo, idade, habilitações literárias, pena e crime, foi possível constituir uma tipologia de quatro grupos de imigrantes, cujas condenações por tipos de crime e outras variáveis se aproximavam», explica.

No seu trabalho, Maria João Guia procura «desmistificar o preconceito de que todo o imigrante é criminoso».

«Este livro é uma tentativa de repor verdades e de analisar com o rigor possível as realidades da imigração e da criminalidade», salienta.