O Frankfurter Allgemeine (FAZ) considera esta segunda-feira Aníbal Cavaco Silva «um encorajador e estabilizador» e «político para tempos difíceis», num perfil publicado no dia em que começa a primeira visita de Estado do Presidente da República à Alemanha, refere a Lusa.

O jornal alemão de referência diz logo a abrir que actualmente em Portugal «o índice de pessimismo ainda é pior do que a situação económica, e bateu um recorde de 22 anos, como titulou o Diário de Notícias».

Nessa altura, Cavaco Silva «tinha-se tornado primeiro-ministro e estava decidido a tirar Portugal da crise e a conduzi-lo à União Europeia, através da modernização e de reformas, e conseguiu ambas as coisas», recorda o FAZ.

«Elegante e aprumado, o ex-campeão regional de 400 metros barreiras é um político para tempos difíceis, que vê o seu papel de Chefe de Estado como o de um encorajador e estabilizador», afirma o FAZ.

O jornal lembra depois que em Portugal, comparativamente, o Presidente da República tem mais poder do que o seu homólogo alemão ou do que o rei de Espanha.

O PR português tem poder de veto, pode demitir o governo e, em casos extremos até convocar eleições antecipadas, lembra o articulista.

O FAZ observa que «a coabitação entre o presidente conservador e o primeiro-ministro socialista José Sócrates nem sempre é livre de tensões».

O jornal alemão recorda também que quando Cavaco Silva foi primeiro-ministro, teve de lidar com o presidente socialista Mário Soares, «que não lhe fica atrás em autoconfiança».

Em comparação com os conflitos que existiram entre ambos, «os conflitos entre Cavaco e Sócrates foram até agora limitados, e exceptuando alguns teatros de luta secundários, o social-democrata conservador e o socialista centrista puxam para o mesmo lado, na tentativa de combater a recessão e os obstáculos às reformas».

O FAZ classifica depois Cavaco Silva como «um europeu amigo da Alemanha, que não esqueceu o apoio externo» após a Revolução do 25 de Abril de 1974.

«Também não admite que se fale mal da União Europeia, apesar de no seu tempo de governo se ter referido à Euroesclerose, que mesmo assim tornou possível o Euro e o Tratado de Maastricht».

Por isso, «advoga com igual veemência o Tratado de Lisboa e não tem saudades nem do Escudo, nem da Peseta ou da Lira», sublinha o FAZ.

A terminar, o jornal lembra que Cavaco Silva é professor de Economia e que chega a Berlim na segunda-feira «com um apelo contra o proteccionismo, que considera um grande erro, tanto na política como na economia».