A semana começa com o dia da Europa e com a polémica das escolas com contrato de associação e esses dois temas irão condicionar uma grande parte das notícias da semana.


Esta é, assim, uma semana que vai do infinitamente grande e complexo, a Europa, até ao infinitamente pequeno, as cerca de 80 escolas. No entanto, para os portugueses e para os partidos portugueses são as escolas que os parecem apaixonar e não a Europa.


É fácil perceber porque a Europa não apaixona mas preocupa. Senão vejamos que temas há na Europa para festejarmos? A resposta mais honesta é o passado e tudo o que adquirimos em termos de qualidade de vida e paz.


E quanto a nos preocuparmos com a Europa? Bem, ao folhear jornais e ver aberturas de televisão no dia 9 de Maio teríamos muito por onde escolher de entre, pelo menos, cinco temas que condicionarão a agenda noticiosa.

Em primeiro lugar a eterna crise do euro, do sistema financeiro, das dívidas soberanas da UE e que, para conforto político e dos cidadãos europeus, decidimos todos chamar "a crise Grega", mas em que a Grécia é apenas a montra onde se expõem todos os pecados de todos os demais países. 

À Grécia a Europa oferece ampliar o prazo da sua dívida e baixar os juros para 2%, mas o FMI não acredita e quer mais alívio da dívida e Portugal afirma que não quer negociar a sua dívida, mas sim pagar e cumprir o que lhe cabe. Portanto, a crise continuará.

Em segundo e terceiro lugar temos o crescer do populismo de extrema direita e as debilidades da esquerda social democrata. Surgem, assim, as primeiras vítimas políticas do crescer da extrema direita por toda a Europa (excepto, por enquanto, na península ibérica), com o chanceler austríaco do partido social democrata a demitir-se e a extrema direita a um passo de ter o primeiro Presidente da República na Áustria (sobre a França logo se verá dentro de algum tempo, mas a criação de centros de desradicalização jihadista vai avançar já em todo o país).

Em quarto lugar temos um outro Primeiro Ministro, em contagem decrescente para o Brexit, ou a saída da Grã-Bretanha da UE. Cameron esforça-se para, nos restantes 44 dias de campanha até ao voto, convencer os seus compatriotas pelo medo. Já que a Europa não apaixona, resta dizer que sair ameaçará a paz na Europa.


E, por último, a crise dos refugiados serve para, no dia da Europa, nos lembrar que esta parece incapaz de resolver qualquer problema por si própria.


O melhor que a UE conseguiu até hoje foi um acordo de associação com a Turquia pagando para se livrar de problemas, neste caso igualando os refugiados do médio oriente à dimensão de problema - Infelizmente a Europa esqueceu-se de que o problema começou também pela sua mão em 2003 nas lajes onde Inglaterra, Espanha e Portugal, através de Durão Barroso, deram a cobertura à invasão do Iraque.


E em Portugal? Em Portugal a política voltou à escola e, embora existam mais de 2000 escolas privadas, o debate político centrou-se em torno de contratos de associação com cerca de 80 escolas. Todos os problemas que envolvam pessoas e famílias são importantes pelo que este é um problema pequeno, quando comparado com as crises da Europa, mas é importante.


No entanto, o que torna este tema um estudo de caso é o facto de partidos da esquerda e da direita se deixarem arrastar para uma situação onde do problema se passa facilmente para o populismo, tornando-se os partidos a voz do populismo de direita ou de esquerda.