No dia em que ficámos a saber, pelas contas do Instituto Nacional de Estatística que Portugal finalmente deixou para trás três anos de recessão, crescendo 0,9% em 2014, é também o dia em que podemos fazer um balanço, tanto mais quando se volta a discutir a pertinência – ou a capacidade de estar - no euro, a propósito da Grécia. Quanto é que, afinal, a economia portuguesa cresceu desde que temos a moeda única a circular nas nossas carteiras? Nada. Até encolheu, em termos reais, -0,12%. Em termos técnicos, estagnou.

Desde que o euro começou a circular em Portugal, em 2002, houve oito anos de crescimento e cinco de recessão. De facto, na comparação de um ano para o outro, esse sobe e desce ocorreu. Chegámos, até, a ter um crescimento de 2,5% em 2007 – o único nestes anos acima dos 2%.

O problema é que quando o PIB caiu, embora tenha acontecido em menos anos, a queda foi (bastante) mais intensa. Tudo aquilo que o país foi crescendo nestes 13 anos não deu para recuperar a riqueza perdida. Olhando para o gráfico, facilmente percebemos o impacto dos números:



Ao certo, as oito notas positivas para o desempenho da economia ocorreram nestes anos: 2002 (+0,8%), 2004 (+1.8%), 2005 (+0,8%), 2006 (+1,6%), 2007 (+2,5%), 2008 (+0.2%), 2010 (+1.9%) e 2014 (+0.9%).

Mas os outros cinco foram penosos: 2003 (-0,9%), 2009 (-3%), 2011 (-1.8%), 2012 (-3,3%) e 2013 (-1,4%).

Daí que, contas feitas pela TVI24, em termos reais a economia portuguesa tenha encolhido 0,12%.

Se fizermos o mesmo exercício desde a entrada no euro (1999), vemos que o país cresceu 5,6%, ao ritmo de 0,4% ao ano. Chegamos a esse número mais positivo (ainda assim um crescimento muito tímido em 15 anos) graças a esse período que antecedeu a entrada em circulação da moeda única. De facto, nesses anos, o PIB português cresceu 3,9%, 3,8% e 1,9%, respetivamente.

Só que desde que o escudo foi embora de vez, até agora o país não mais vislumbrou aumentar a sua riqueza para valores do início do milénio.