A crise fez disparar o número de candidatos a bolsas de estudo na maioria das universidades públicas e todos os dias chegam aos serviços sociais das instituições novos pedidos para aumentar o valor do subsídio.

«À medida que a crise se vai agravando vão aumentando as famílias desempregadas ou com dificuldades e obviamente essa situação reflecte-se na vida dos estudantes. Este ano, recebemos um aumento significativo de candidaturas», disse à Lusa o administrador dos Serviços de Acção Social (SAS) da Universidade de Coimbra, Luzio Vaz.

Para este ano lectivo, candidataram-se mais 324 alunos do que no anterior. No total, deram entrada 6.156 pedidos de apoio financeiro, mas «todas as semanas» continuam a chegar «bastantes» processos a solicitar o aumento da ajuda.

Aumento registou-se em todas as universidades públicas

À excepção dos caloiros, as candidaturas às bolsas são feitas, normalmente, na primavera do ano anterior. Cada universidade define as datas de entrega da documentação mas o estudante pode, em qualquer altura, pedir apoio financeiro ou revisão da bolsa já atribuída, caso se verifique uma alteração da situação económica do agregado familiar.

Tal como em Coimbra, também no Algarve houve um aumento dos estudantes carenciados: estão inscritos este ano 1.500 bolseiros, mais 200 do que no ano passado e o número de candidaturas passou de 1.800 para 2.100.

«Todas as semanas recebo processos fora de prazo, porque houve o despedimento da mãe ou do pai ou por uma outra qualquer alteração familiar», disse à Lusa o administrador dos Serviços Sociais da Universidade do Algarve, Amadeu Cardoso, acrescentando que o valor médio das ajudas subiu.

Já na Universidade de Lisboa (UL), dos cerca de 20 mil alunos, 3.000 têm bolsas e o aumento registado no último ano é residual, não chegando à meia centena.

Ainda assim, o administrador dos SAS reconhece que a situação se agravou para alguns bolseiros. «Desde Outubro recebemos dez alterações de bolsa por se ter deteriorado a situação do agregado familiar. São famílias do Alentejo, em que um ou os dois pais ficaram desempregados», explicou Luís Nascimento Fernandes.

O aumento de candidaturas ao apoio financeiro directo registou-se em todas as universidades públicas, mas para alguns administradores dos SAS existem outras razões que explicam o fenómeno.

De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, estão a estudar nas universidades públicas portugueses 72.975 bolseiros, mais 2.596 que no ano passado.