
Os membros do conselho de administração da Metro do Porto pediram esta sexta-feira a renúncia ao cargo, por não ter sido deliberado, em assembleia-geral, a eleição de novos corpos sociais.
O presidente da mesa da assembleia-geral, Valentim Loureiro, afirmou que «não apareceu nenhuma proposta com qualquer lista para ser eleita» na reunião de acionistas.
O presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, adiantou depois que «não houve condições» para eleger os novos órgãos sociais da Metro do Porto por ausência de propostas do Governo.
«O que deveria ter acontecido [na assembleia-geral da Metro] era a existência de nomes para os órgãos sociais e, antes disso, uma proposta de alteração de estatutos para que o novo conselho de administração pudesse acomodar aquilo que é o objetivo do Governo, que é a fusão da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto e Metro», mas tal «não aconteceu».
O presidente da Câmara de Matosinhos e membro da Junta Metropolitana do Porto, Guilherme Pinto, considerou um «desastre» a situação que levou à renúncia da administração.
«É um silêncio incompressível que não ajuda em nada a recuperação da confiança dos investidores e à confiança da economia da região. É um silêncio desrespeitoso e é minha convicção que o ministro da Economia não tem tempo para tratar disto tudo. A Junta Metropolitana, de que eu faço parte, não teve nem estratégia nem conhecimento das razões deste adiamento. Não foram comunicadas a ninguém».
Na ordem dos trabalhos da reunião de acionistas da empresa constava, além da aprovação das contas consolidadas da empresa, que foram aprovadas, a eleição de novos órgãos sociais.
Ricardo Fonseca, que agora renuncia ao cargo de presidente do conselho de administração da Metro e cujo mandato já terminou em dezembro de 2010, já tinha deixado o aviso na última assembleia-geral da empresa, em 29 de março.
Em causa está o impasse quanto à definição de um novo modelo de governação da empresa, que terá que ser coordenado entre os acionistas Estado e Junta Metropolitana do Porto (JMP).
O presidente demissionário disse que «é insuportável» aguentar mais as incertezas quanto ao futuro da empresa.
«Ao apresentar hoje a resignação, somos obrigados a mantermo-nos em funções até ao final do próximo mês», afirmou Ricardo Fonseca, referindo-se ao facto de todos os membros da administração terem hoje renunciado ao cargo na assembleia-geral da empresa.
Esta renúncia acontece na «sequência da assembleia-geral de [29 de] março», quando a administração apresentou um requerimento para exigir uma nova reunião em maio para nomear os novos órgãos sociais e afirmou estar confiante que o problema ficará resolvido até ao fim de junho, quando abandonar a empresa.
«Mal corre se durante um mês e uma semana não há tempo suficiente para resolver este problema, que na verdade já é insuportável».
Fonseca confessou que a empresa vive uma «situação muito difícil» desde que o Governo anunciou pretender criar uma administração conjunta com a Sociedade dos Transportes Colectivos do Porto (STCP), no âmbito da fusão das duas transportadoras.
«Naturalmente que se gera um clima de incerteza, de ansiedade, que é desgastante para as empresas e muito especialmente para os trabalhadores».
O responsável considerou que «custa» viver com a dúvida sobre qual será o modelo de gestão no futuro.
O responsável admitiu sair «desiludido» com facto de sair da Metro do Porto «na sequência de uma resignação», mas congratulou-se com os «passos significativos» que a empresa deu até hoje, nomeadamente porque «a qualidade de serviço é reconhecida pela população».
Sem ter qualquer explicação para o facto dos acionistas Estado e Junta Metropolitana do Porto não terem alcançado um acordo que resolvesse hoje esta situação «inédita», Ricardo Fonseca considerou, contudo, tratar-se de «uma situação transitória que naturalmente será superada».