O CCB “tem de ter vida para além da sua própria arquitetura”, defende Elísio Summavielle. Depois de ter sido nomeado para a presidência do Centro Cultural de Belém (CCB), Elísio Summavielle revelou alguns dos procedimentos que irá adotar depois de assumir o cargo, ações focadas no público e na divulgação da cultura.

“Gosto de ver o Centro Cultural de Belém cheio de gente, eu acho que tem de haver uma programação criteriosa, claro, mas abrangente. Acho que os espaços públicos devem ser mais fruídos pelas pessoas, além dos auditórios, dos espaços expositivos e das galerias”, disse à agência Lusa esta segunda-feira.

Sobre o caso do eixo Belém-Ajuda, que provocou o afastamento de António Lamas, Elísio Summavielle adotou uma postura subtil sem descartar o projeto.

“Não diria que é o abandono de uma ideia, eu diria que é de um ideia de construção de uma ideia que eu próprio, enquanto desempenhei outras funções, como secretário de Estado da Cultura, julgo que fui o primeiro a sentar à mesa todos s intervenientes [da zona] Belém-Ajuda. É óbvio e redundante que é necessário uma coordenação de esforços da criação de uma marca nessa zona da cidade”, disse. O nomeado presidente do CCB afirmou querer “aproveitar o trabalho positivo que nesse sentido que entretanto foi feito”, mas realçou que “a prioridade é dar vida a um monumento nacional que é o CCB”.

PSD e CDS falam em "prepotência"

O PSD e o CDS consideram que a forma como foi feita a nomeação do novo presidente do CCB, concretizada pelo Ministério da Cultura na segunda-feira, foi "prepotente" e "anormal".

"Tem havido uma pressão prévia junto da imprensa, onde são anunciadas pré-substituições de determinados cargos, e este da cultura é paradigmático, porque antes da audição parlamentar do ministro da Cultura, houve uma entrevista em que assumia uma necessidade urgente de substituição da administração do CCB". Para Sérgio Azevedo, "há uma certa arrogância e prepotência" na forma como são feitas pelo PS as substituições nos organismos públicos, o que é visto "com alguma preocupação pelo PSD".

O responsável pela área da cultura no Grupo Parlamentar do PSD disse que o partido tem as maiores reservas quanto às alterações que têm sido feitas em organismos públicos: "Já tivemos alterações significativas no Instituo da Segurança Social, no Instituto do Emprego, houve pressões para a demissão do presidente do Banco de Portugal, e agora temos este caso da cultura".

Quanto à nomeação de Elísio Summavielle, Sérgio Azevedo considerou-a uma "substituição por uma pessoa de confiança", por ter já trabalhado como assessor de João Soares na Câmara Municipal Lisboa.

Na mesma linha, o deputado do CDS, Helder Amaral, considerou "anormal" e "pouco correta do ponto de vista institucional" a forma como António Lamas foi afastado do cargo: "Não nos parece normal e correto que uma demissão seja feita com recados e via imprensa".

Coleção Berardo continua gratuita

Quando iniciar funções, Elísio Summavielle quer ouvir as equipas e os funcionários do CCB de forma a encontrar as melhores ideias para gerir o futuro daquela instituição. “Quero ouvir determinadas opiniões antes de ter um mapa claro na minha cabeça sobre a melhor forma de melhorar a performance deste monumento”, disse. Apesar da abertura ao diálogo, o historiador não descarta futuras alterações no concelho de administração, mas terá de avaliar com a tutela, o ministro da Cultura, antes de qualquer anúncio público.

Sobre as entradas gratuitas para visitar a coleção Bernardo, Elísio Summavielle admite que irá continuar com entrada livre e deseja que o espólio possa melhorar para enriquecer ainda mais a oferta cultural do CCB.

Elísio Summavielle nasceu em Lisboa e é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com especialização em História da Arte, é militante do PS, foi secretário de Estado da Cultura no Governo de José Sócrates e diretor-geral do Património Cultural no executivo de Pedro Passos Coelho.