A coligação formada pela Força Itália, de Silvio Berlusconi, a Liga do Norte e o pequeno partido Irmãos de Itália obteve cerca de 37% dos votos, segundo resultados parciais divulgados nesta segunda-feira pelo ministério do Interior, quando estão contados dois terços dos boletins de voto das eleições legislativas de domingo.

Mas dentro desta coligação, é a Liga do Norte, de Matteo Salvini, formação eurocética e anti-imigração, aliada de Marine Le Pen (do partido de extrema-direita francês Frente Nacional) na Europa, que ocupa a liderança da corrida eleitoral, com 18% dos votos.

E se esta aliança vencer em termos de assentos parlamentares, Matteo Salvini, que prometeu expulsar centenas de milhares de imigrantes “clandestinos”, ficará em posição de exigir o cargo de primeiro-ministro.

Já a Força Itália de Berlusconi contabiliza menos de 14%.

O Movimento 5 Estrelas (M5S), do candidato Luigi di Maio, obteve, por sua vez, uma subida histórica, tornando-se o partido mais votado em Itália, com quase 32% dos votos, alguns meses após a vitória do Brexit no Reino Unido e de Donald Trump nos Estados Unidos.

Agora, “toda a gente terá de falar connosco”, congratulou-se um dos seus dirigentes, Alessandro Di Battista, após uma campanha dirigida contra a corrupção e a “casta” política italiana.

Silvio Berlusconi, que se tinha apresentado em Bruxelas como o único baluarte contra os populistas e as forças anti-euro, perdeu, portanto, a aposta.

Nigel Farage, ex-dirigente do Ukip, partido britânico pró-Brexit, felicitou no Twitter os seus “colegas” do M5S.

O movimento, fundado pelo ator cómico Beppe Grillo em 2009, tinha há surpreendido ao recolher 25% dos votos nas últimas legislativas, em 2013, e garante agora uma posição central no futuro parlamento, a confirmar-se o seu resultado no escrutínio.

Por seu turno, o Partido Democrata (PD, de centro-esquerda) de Matteo Renzi confirmou nas urnas o mau resultado previsto pelas sondagens, com 23% dos votos, ou seja, menos metade que o obtido nas eleições europeias de 2014.

A ausência de uma maioria da coligação de direita, a confirmar-se, obrigará os líderes políticos italianos a cálculos e negociações que se anunciam longas e complexas.

Uma aliança entre os populistas do M5S e da extrema-direita da Liga do Norte é a única combinação possível para obter uma maioria parlamentar, à luz dos resultados parciais – uma hipótese até agora categoricamente rejeitada pelos dirigentes de ambas as formações.

Nas próximas semanas, caberá ao presidente italiano, Sergio Mattarella, avaliar os resultados e confiar um “mandato exploratório” àquele que lhe parecer em condições de obter uma maioria no parlamento.