O Partido Comunista Português foi o primeiro partido português a fazer uma declaração sobre a vitória do Syriza nas eleições legislativas da Grécia, realçando que ela mostra a «vontade política de mudança» naquele país e na Europa como um todo. 

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«A rejeição do rumo de empobrecimento e desastre económico e social e a vontade política de mudança traduziram-se na vitória do Syriza, que foi o partido mais votado», disse João Ferreira, aos jornalistas.
 
O PCP destacou ainda o resultado do Partido Comunista grego, que prosseguirá «a luta que desenvolve de defesa dos interesses do povo e trabalhadores gregos». 
 
Deixou, ainda, um alerta para «as manobras daqueles que, no quadro da União Europeia, procurarão assegurar o prosseguimento do essencial da política» de austeridade na Grécia e «continuação do domínio da UE liderado pela Alemanha».

O PCP diz que a vitória do Syriza significa uma «clara derrota dos partidos que têm governado a Grécia e que são, com a União Europeia, os responsáveis pelo desastre económico e social» no país.

Para João Ferreira, os resultados que colocaram o Syriza à beira de uma maioria, «representam também uma derrota para aqueles que, no quadro da União Europeia, procuraram - através de pressões, chantagens e ingerências inaceitáveis - condicionar a expressão eleitoral de profundo descontentamento e de profunda vontade de mudança que hoje percorre a sociedade grega».

Estes resultados «expressam também uma rejeição clara da política imposta pelos sucessivos programas de ajustamentos acordados com a troika», acrescentou.

Questionado sobre os impactos deste resultado nos outros países europeus, nomeadamente naqueles que tiveram um programa de ajustamento, João Ferreira disse que «a solução dos graves problemas económicos e sociais que afetam vários países da UE, como a Grécia e Portugal, exige uma rutura com as políticas, os instrumentos, os mecanismos que têm vindo a ser postos em marcha no plano da UE».

«Foram essas políticas, esses instrumentos, que geraram esses problemas económicos e sociais e a sua solução só virá na base da rutura com essas políticas», disse.

Em Portugal, prosseguiu, «o caminho passa necessariamente com a rutura com essas políticas, com esses instrumentos, esses mecanismos, e passa por uma política que afirme o primado dos interesses nacionais, que afirme a defesa da soberania e independência nacionais, face a quaisquer outros interesses».