Nas duas últimas semanas realizaram-se não só a maior parte dos debates televisivos na RTP Açores, em frente-a-frente entre os pressupostos candidatos a Presidente do Governo Regional e entre todos os cabeças-de-lista por ilha, como também várias ações de campanha ao longo do arquipélago, que contaram inclusive com a participação de figuras da política nacional, como o Primeiro-Ministro e vários deputados à Assembleia da República. 

Já dentro de uma semana, além de se dar início ao período formal de campanha eleitoral, vários açorianos começarão a exercer o direito ao voto antecipado, não só no arquipélago como também no resto do país e nas representações diplomáticas no estrangeiro.

Contudo, nos últimos quinze dias, quase nenhum órgão de comunicação social nacional destacou o inicio deste processo eleitoral. Não se concedeu qualquer relevância aos candidatos ou à relação de forças do parlamento açoriano. Esta cobertura contrasta com os destaques concedidos nas semanas anteriores e durante o mês de Agosto aos potenciais candidatos às eleições autárquicas de 2017, nomeadamente à Câmara Municipal de Lisboa.

Conforme indica o artigo 6.º da Constituição, a República Portuguesa é um estado unitário mas que admite duas exceções no seu território, cada uma com o seu Governo Regional e a sua Assembleia Legislativa. Com 574 candidatos, apresentados em 102 listas por 13 partidos e coligações, a 9 círculos (um por cada ilha) e ao círculo de compensação (comum a todo o arquipélago), estas serão não só as eleições regionais açorianas com maior número de candidatos e de eleitores, como as primeiras onde as listas tiveram que respeitar a chamada "lei da paridade".

Seria então de esperar que, tal como acontece com outros atos eleitorais, a comunicação social da República se dedicasse a acompanhar o processo que leva à eleição destes dois órgãos legislativos numa das duas regiões autónomas de Portugal. Todavia, nas semanas em que se tornaram públicas todas as listas definitivas de todos os partidos e coligações a todos os círculos eleitorais, bastante pouco se leu no continente sobre as eleições regionais dos Açores.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.